Campanha global de auditoria incentiva a conquista de certificações profissionais

Maio é o mês global da auditoria interna. A campanha ‘IIA May’ abrange 170 países e cerca de 190 mil associados ao The IIA – The Institute of Internal Auditors, a principal entidade da carreira no planeta. O foco é mostrar a empresas e governos a importância de investir nesses profissionais a fim de elevar os níveis de governança, gestão e ética em todas as organizações. Áreas de auditoria interna fortalecidas são consideradas cruciais para o equilíbrio e crescimento sustentável da economia global.

Por aqui, o Instituto dos Auditores Internos do Brasil (IIA Brasil), aderiu a campanha global e lançou uma promoção que isenta a taxa de habilitação para a conquista do CIA – Certified Internal Auditor, respeitada pelo mercado como a principal certificação profissional – quase como a OAB para advogados. Para obtê-la o auditor precisa passar por diversas avaliações técnicas e de cunho ético. Devido sua complexidade, o tempo médio de aquisição é de dois anos. Atualmente, é raro uma grande corporação contratar um auditor interno sem o CIA.

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Durante o IIA May, o Instituto dos Auditores Internos do Brasil lança campanha que isenta a inscrição para a obtenção do CIA – Certified Internal Auditor

Segundo Fabio Pimpão, diretor de Normas e Certificações do IIA Brasil, o IIA May tem a missão de despertar a atenção do mercado para a importância de valorizar a profissão para que empresas possam atuar em ambientes corporativos mais justos e, consequentemente, tornarem-se mais competitivas. “É inegável a necessidade de o Brasil contar com mais auditores qualificados, em empresas públicas e privadas, nesse momento crítico de combate a fraudes corporativas. É uma profissão que se tornou estratégica, e exige preparo de nível global para enfrentar os constantes desafios do mercado”, explica Pimpão.

Além da isenção na taxa de habilitação do CIA, o The IIA também lançou o Building Awareness Champion. Trata-se de uma premiação que reconhecerá as empresas engajadas na missão de promover mais conhecimento sobre a atividade de auditoria interna. Até o final desse mês, o IIA Brasil concede desconto nos treinamentos preparatórios (CIA1 e CIA 2), nos materiais didáticos (CIA 1, CIA 2 e CIA 3) e no Gleim Online da certificação. Mais informações sobre o IIA May em iiabrasil.org.br

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Auditoria de olho na Inteligência Artificial

Uma mescla de hardware e software com a pretensão de agir como um cérebro humano. A chamada Inteligência Artificial (IA), tem conquistado cada vez mais espaço em organizações corporativas em todo o mundo, gerando benefícios significativos, mas também, enormes desafios. O alerta de atenção sobre essa polêmica ferramenta, passou a ser sinalizado pelo The Institute of Internal Auditors (The IIA) – o maior organismo de auditoria no mundo – que decidiu produzir uma cartilha didática sobre o papel desses profissionais diante da Inteligência Artificial.

O documento foi traduzido pelo IIA Brasil – Instituto dos Auditores Internos do Brasil – com a autorização para divulgar a seus associados. O objetivo central é esclarecer quais as posturas mais íntegras e efetivas que profissionais devem tomar, a fim de lidar com um sistema concebido para encontrar probabilidades, mas que, se desenhado de maneira equivocada, pode causar injustiças aos colaboradores e até danos significativos à corporação.

A cartilha chamada “Tone at the top” – propõe entender o que define a IA, abordando sobre sua construção, aplicação, gestão e controle. O documento ressalta que esses sistemas são criados por humanos, portanto, são parciais, críticos e injustos. Cabe aos gestores recorrerem à auditoriainterna para conduzir testes que determinem se os resultados produzidos pela IA refletem o objetivo original e se não foram distorcidos pelas parcialidades dos criadores da tecnologia.

Além disso, a cartilha afirma que os auditores também precisam estar responsáveis por testes de confiança, precisão, repetibilidade e integralidade, bem como pela mensuração de desempenho da IA. Eles necessitam alertar os gestores, o conselho de administração e as partes interessadas, que há possíveis riscos de equívocos, quanto a lógica humana, incorporados à tecnologia de IA. Somente assim, será possível alcançar uma conclusão clara do valor real que ela trará à empresa, seja ela pública ou privada.

De acordo com Fabio Pimpão, diretor do IIA Brasil, as premissas apresentadas pelo instituto global confirmam que a Inteligência Artificial será um divisor de águas crucial na carreira do auditor interno. “É um alerta de que temos que olhar para o futuro. As corporações precisam investir em auditoria, dando-lhes autonomia para que elas façam uma completa imersão de avaliação da IA implantada. Por outro lado, se o auditor não estiver preparado para esses audaciosos desafios, com postura proativa e vasto conhecimento, ele dificilmente encontrará portas abertas nesse novo mundo corporativo que se desenha”, prevê.

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Mais informações sobre o “Tone at the Top”, acesse o site do IIA-Brasil: www.iiabrasil.org.br

 

Ética é a alma de um auditor

*Por Fábio Pimpão

O combate à corrupção tem colocado a atuação de auditores no holofote da mídia. Um dos mais discretos trabalhos do mundo corporativo, tornou-se crucial para a sobrevivência de empresas públicas e privadas, figuras estratégicas para um país mais justo. O perfil ideal desses profissionais passou a ser questionado, com exigências cada vez maiores, impostas pela alta administração e por stakeholders, que buscam protagonistas munidos de absoluta ética e capacidade de antecipar os mais complexos desafios. Esses predicados, são hoje compulsórios.

O The IIA – The Institute of Internal Auditors – principal organismo da carreira no planeta, prega que o princípio básico do auditor é a ética. A entidade enfatiza em seu livro chamado de IPPF – que traz as normas internacionais da profissional – que aquele que não cumpre com os pilares éticos estabelecidos nessa publicação, não pode ser considerado um auditor.

Demanda-se um profundo conhecimento técnico, mas também é enorme a exigência por um auditor mais humano, capaz de lidar com coerência, com desafios de prazos apertados e recursos escassos. É preciso aprimorar habilidades de comunicação, de persuasão, de senso crítico e ter discernimento isento, ao tratar de questões estratégicas com o responsável por cada área.

Um profissional ético sabe que a necessidade de investir em certificações da carreira é eterna. São as atualizações que o tornará, competitivo, eficiente e apto a agregar valor aos stakeholders.

Mais que a análise contábil, o auditor moderno conhece o negócio da corporação em que atua, com extrema profundidade. No último levantamento sobre o perfil profissional, promovido pelo The IIA, com mais de 14 mil auditores espalhados no mundo, o fator que mais destoou na América Latina, das demais regiões foi justamente o conhecimento do negócio. Estamos 10% abaixo da Europa nesse quesito. Em contrapartida, quando falamos de persuasão e colaboração, estamos 25% acima da Ásia.

Decorrente do cenário político e económico brasileiro,quando olhamos as habilidades que um diretor de auditoria busca ao contratar, vemos elevada dissonância. Na América Latina, a procura por auditores com técnicas em prevenção a fraudes e investigação é 50% maior do que o resto do mundo. Um fator cultural triste.

Após a sanção da Lei Anticorrupção, cresceu a demanda por auditores expert em compliance. Não basta verificar se os números contábeisestão íntegros e se os riscos de negócio estão sendo devidamente mitigados, o auditor do futuro tem que estar preparado para o inesperado.

A pressão por trazer a notícia ruim antes que ela aconteça tem se tornado tônica na rotina de auditores. Ter habilidades em Data Analytics é hoje um diferencial na carreira, e em breve será exigência de mercado. Essa plataforma digital de auditoria, é parceira da ética, pois reduz as margens para desvios de conduta ao envolver menos ‘mãos’ nos processos.

De um profissional que apenas checava demonstrações financeiras, o auditor interno é hoje um dos responsáveis pelo sucesso ou falência de uma organização. O ganho de responsabilidade reflete a imagem de seu papel social. É preciso preparar-se para as evoluções técnicas, mas a integridade de suas ações é o valor que mais precisamos nos dias de hoje. OBrasil deve reduzir a corrupção corrosiva e o auditor é peça fundamental deauxílio nesse momento crítico em que vivemos.

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Foto: IIA-Brasil/Divulgação

*Fabio Pimpão é diretor do Instituto dos Auditores Internos do Brasil – IIA Brasil