Auditoria, revolução tecnológica e combate à corrupção são destaques do Conbrai 2019

A tecnologia está causando múltiplas disrupturas nos processos de auditoria no mundo. O alerta foi dado por Larry Harrington, um dos pioneiros globais da aplicação da inteligência artificial no ambiente da auditoria. Com uma inspiradora palestra, o executivo abriu na manha da última segunda-feira (16), o maior Congresso Brasileiro de Auditoria Interna (Conbrai) já realizado no país, com mais de 900 profissionais. Entre os participantes, uma equipe de Auditores Internos do Estado marcou presença no evento que encerra hoje (17) em Florianópolis, com a presença do ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário.

Durante a abertura, Harrington mostrou dados de uma recente pesquisa realizada com 835 executivos de 13 empresas globais que aponta que 84% dos CEOs consideram a Inteligência Artificial essencial para a competitividade das empresas. “As transformações estão acontecendo a cada dia e o uso da AI só irá aumentar. Porém, há riscos de fraudes que precisam ser monitorados com muito mais vigor”, comenta Harrington ao expor um dado de uma pesquisa americana que aponta que 47% empresas da área de tecnologia estão adotando aplicativos em aparelhos celulares, sem avaliar os possíveis riscos relacionados ao uso.

Harrington é considerado um dos maiores especialistas em defesas de mercados governamentais, por sua atuação de anos como executivo chefe de auditoria da Raytheon Company. A empresa americana atua na área de armamentos e equipamentos eletrônicos para uso militar e comercial e é a maior produtora mundial de mísseis guiados. No que tange a corrupção em países como o Brasil, ele acredita que é preciso coragem para enfrentar fraudes e diminuir os elevados e inaceitáveis níveis de corrupção de nações em desenvolvimento. “É necessário rastrear os dados de políticos para esclarecer como muitos deles começaram do nada e hoje são milionários”, conta Harrington.

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Uma parte da equipe de Auditores Internos do Estado que participa do Conbrai 2019 em Florianópolis (Foto: Divulgação/Sindiauditoria)

Corrupção e inteligência artificial
 
O combate à corrupção em estatais com o apoio da robótica foi o tema central da apresentação do ministro Wagner Rosário. O responsável pelo órgão, expos dados significativos com resultados recentes obtidos por meio do uso da inteligência artificial. “Intensificamos este ano o uso de algoritmos principalmente nas áreas de licitação e conseguimos frear R$ 812 milhões em processos que não eram necessários ou estavam irregulares”, revelou ele.

Só neste ano, até agosto, foram 15 pregões cancelados ou suspensos. O sistema busca identificar riscos que expõem as organizações públicas por meio de análises de textos. “Agimos antes que a licitação, ocorra de forma eficiente e sem a necessidade de contar com diversos servidores nesses processo”, explicou o ministro. Segundo ele, as novas funcionalidades têm gerado resultados que contribuem para desestimular a abertura de pedidos de licitação desnecessárias, dando mais coerência às metodologias.

O ministro, que atendeu a imprensa local antes de sua apresentação, lembrou que o país tem avançado significativamente no combate à corrupção e má gestão pública, tendo gerado um benefício ao governo federal da ordem de R$ 29.8 bilhões nos últimos seis anos. “Só no ano passado foram R$ 7 bilhões, e isso de um órgão que custa R$ 1 bilhão para operar”, lembrou.

Sobre os acordos de leniência as cifras também impressionam. São R$ 11.5 bilhões de desde de 2017, com a maioria fechada ano passado. O ministro estima que só em 2019 tenha sido acordado algo entre R$ 3 e R$ 4 bilhões até agosto.

Além de utilizar em licitações, a CGU aplica a inteligência artificial nas análises de trilhas de pagamentos de pessoal, com 94 ferramentas que rodam todos os meses em sistemas pelo país. Há também o uso de algoritmos nas análises de prestação de contas de convênios, no qual a tecnologia auxilia tanto na identificação de irregularidades, como na liberação de processos automáticos, nos casos em que não foram encontradas provas de fraudes. “Isso agilizou demais os sistemas e trouxe muita economia para o governo”, revelou Rosário.

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Ministro Wagner Rosário apresentou números que apontam um bloqueio de R$ 812 milhões em licitações, apenas este ano, feitos com o auxílio de algoritmos associados à tecnologia de inteligência artificial (Foto: IIA Brasil / Lucas Ninno)

Congresso Brasileiro de Auditoria começa nessa segunda-feira em Florianópolis com recorde de profissionais inscritos 

Nesta segunda-feira (16), Florianópolis se transformará na capital brasileira da auditoria. São esperados cerca de 900 profissionais, reunidos em torno de questões que envolvem a gestão corporativa e que impactam diretamente na competitividade de empresas públicas e privadas. Quebras de paradigmas impulsionadas pelas constantes mudanças tecnológicas, são cada vez mais frequentes nas áreas de auditoria, compliance e riscos. Tentar prever como a robótica alterará esses processos será uma das missões da 39a edição do Conbrai (Congresso Brasileiro de Auditoria Interna).

O evento, que entra para a história como o maior entre as quase 40 conferências já realizadas, terá a presença confirmada do Ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, que apresentará dados sobre a atuação dos auditores do órgão, além de mostrar números relevantes de importantes conquistas. Sua palestra acontecerá na manha da terça-feira (17).

O Conbrai também será palco de apresentações de alguns dos mais respeitados auditores do mundo, como o americano Larry Harryton, um dos pioneiros na aplicação da inteligência artificial no ambiente da auditoria. Expert em cibersecurity, ele é considerado um dos maiores especialistas em defesas de mercados governamentais, por sua atuação de anos como executivo chefe de auditoria da Raytheon Company. A empresa americana atua na área de armamentos e equipamentos eletrônicos para uso militar e comercial e é a maior produtora mundial de mísseis guiados.

Outro keynote speaker muito aguardado é Robert Hirth, referência global em controles internos. O americano presidiu, entre 2013 e 2018, o COSO – Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission – ou Comitê das Organizações Patrocinadoras da Comissão Treadway. Trata-se de uma entidade criada em 1985, nos Estados Unidos, cuja missão é desenhar e estabelecer procedimentos capazes de prevenirem e mitigarem fraudes dentro de corporações. É tido como o principal ‘norte’ para a questão de controles internos no ambiente corporativo.

Completa a lista de ícones internacionais, o professor Miklos Vasarhelyi, da universidade de New Jersey. Inventor do conceito de auditoria contínua, o docente é um dos líderes mundiais em pesquisas sobre novas tecnologias no ambiente contábil. Sua apresentação no dia 16 será focada em mostrar projeções de como a Inteligência Artificial irá afetar cada vez mais a rotina de auditores em organizações públicas e privadas. Ele também comentará sobre uma de suas principais bandeiras: a contabilidade social.

Para Paulo Gomes, diretor-geral do IIA Brasil – Instituto dos Auditores Internos do Brasil, entidade promotora do Conbrai 2019, a carreira no país tem mostrado força e valorização, em um momento em que a economia começa a dar sinais de recuperação, gerando otimismo para que empresas ampliem seus investimentos. “A conquista de um recorde, com quase mil profissionais reunidos em Florianópolis, é motivo de celebração e sinal claro de que as organizações estão investindo em auditoria e compliance. Elas compreendem a essencialidade destas áreas para a competitividade de seus negócios. Não há crescimento sem o fortalecimento da gestão, de controles e da ética corporativa”, ressalta.

Visões plurais

Estão previstos três importantes painéis de debates que reunirão experts de empresas como Bradesco, B3, PWC Brasil, Deloitte, ICTS, Protiviti e Brookfield, além de entidades como o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e de organismos como o Tribunal de Contas da União (TCU). Entre os temas, entrarão em pauta o perfil da nova geração de auditores; tecnologia e inovação, e ainda, um questionamento sobre o pragmatismo de profissionais diante de ferramentas como robótica e inteligência artificial.

Um overview sobre a corrupção corporativa na América Latina estarão nos holofotes das plenária comandadas por Paulo Gomes do IIA Brasil e por Jorge Badillo, Presidente da Fundação Latino-americana de Auditoria Interna. O evento contará também com a participação de Gil Giardelli, professor global de MBA e colunista da Band News, abordando questão da economia gerada pela inteligência artificial. Mais informações sobre o Conbrai e a grade completa do congresso estão em: iiabrasil.org.br/conbrai

Com a participação do Ministro da CGU, Wagner Rosário e de alguns dos nomes mais respeitados da auditoria global, o Conbrai 2019 terá como tema central a ‘Vanguarda Tecnológica’. O combate a fraudes corporativas por meio do uso de Inteligência Artificial e a aplicação da Auditoria 4.0 estarão nos holofotes de calorosos debates, em mais de 30 apresentações

Florianópolis receberá executivo considerado referência mundial em controle interno

Poucos conhecem as complexas estruturas disponíveis para coibir fraudes no mundo corporativo como Robert Hirth – Bob, como é chamado no hall de eventos de auditoria  interna. Ele acaba de confirmar presença como um dos keynote speakers do Conbrai (Congresso Brasileiro de Auditoria Interna), que ocorrerá entre 15 e 17 de setembro – em Florianópolis – um evento que deverá reunir mais de 800 profissionais, tornando-se o maior em quase 40 edições.

A apresentação de Robert Hirth promete provocar as centenas de auditores internos presentes no evento, a fim de saber se estão prontos para se enquadrarem na próxima geração da carreira. A questão virá de um executivo que presidiu, entre 2013 e 2018, o COSO (Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission) – ou Comitê das Organizações Patrocinadoras da Comissão Treadway. Trata-se de uma entidade criada em 1985, nos Estados Unidos, cuja missão é desenhar e estabelecer procedimentos capazes de prevenirem e mitigarem fraudes dentro de corporações. É tido como o principal ‘norte’ para a questão de controles internos no ambiente corporativo.

Segundo Paulo Gomes, diretor-geral do IIA Brasil (Instituto dos Auditores Internos do Brasil), entidade promotora do Conbrai 2019, a participação de Robert Hirth deverá gerar reflexões em todos os auditores presentes. “Além de apresentar novidades extremamente relevantes sobre a carreira, a expectativa é que ele nos faça buscar uma autocrítica para que possamos avaliar se estamos estagnados ou alinhados com os imensos desafios da auditoria 4.0”, prevê.

Além de referência por sua atuação no COSO, Hirth é vice-presidente da comissão que define as diretrizes do Conselho de Padrões Contábeis de Sustentabilidade (SASB). É diretor administrativo sênior da Protiviti, uma firma global de auditoria interna e consultoria em riscos de negócios que opera em 22 países.

Em 2013, ele foi homenageado ao ser convidado para fazer parte do American Hall of Distinguished Audit Practitioners, a mais distinta honra concedida a um profissional de auditoria no mundo.

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Inteligência Artificial

A grande maioria dos mais de 30 painéis que serão apresentados no Conbrai terá os holofotes apontados para a tecnologia aplicada na auditoria interna. Temas como cibersecurity, auditoria 4.0, data analytics e Inteligência artificial serão amplamente debatidos durante as plenárias.

Experts internacionais trarão atualizações com as principais tendências dos mercados mais avançados, e especialistas brasileiros alinharão questões que seguem na pauta nacional como: Lei Anticorrupção, Lava-Jato e o vazamento de celulares de autoridades.

As inscrições para o congresso já estão abertas e podem ser realizadas por meio do site: www.iiabrasil.org.br/conbrai.