Quem cuida do dinheiro dos seus impostos?

Durante as compras para o almoço de domingo, uma família percebe que cerca de 17% do valor pago ao supermercado é separado pelo Estado para investir no cuidado de todos nós. Isso é o que chamamos de imposto e ele será utilizado em diversas áreas, como Saúde, Educação, Segurança e Infraestrutura.

Mas como garantir que o dinheiro arrecadado será aplicado de maneira correta e eficiente, evitando o desperdício e a corrupção? É aí que entra em cena a figura do Auditor Interno do Estado.

Dê o play e descubra como esse servidor trabalha para garantir o bom desenvolvimento da sociedade catarinense.

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Corrupção na mira de auditores éticos 

* Por Braselino Assunção

O momento é histórico. As delações premiadas estão abrindo o livro de um Brasil que todos imaginavam existir, mas que faltava ser escancarado, com detalhes, estruturas e a dolorosa realidade das fraudes corporativas. Entre as incontáveis revelações expostas diariamente pela mídia, a população passou a conhecer também o papel do auditor interno, um dos protagonistas na eterna luta entre a ética e o ilícito. Sua missão é a de mitigar riscos, prevenir perdas financeiras e identificar processos passíveis de corrupção, mesmo que isso signifique apontar o deslize de um colega de anos de profissão.

A Lava Jato tem mostrado ao País que a ação de auditor interno é crucial em corporações, sejam públicas ou privadas. Mas esse profissional, além de eficiente, tem que ser idôneo, resistente às tentações de um cenário voraz, que sempre teve como tônica a impunidade e o infortúnio do chamado jeitinho brasileiro.

As investidas são incontáveis e constantes. Recente pesquisa feita em 166 países, divulgada pelo The Institute of Internal Auditors – o principal organismo da carreira no mundo – revela que 44% dos auditores brasileiros já sofreram, em algum momento, pressão de seus superiores para alterar resultados de relatórios nas organizações em que atuam. O dado o preocupante é bem superior aos 29% da média global.

Ter profissionais qualificados e departamentos de auditorias estruturados se tornou busca constante no mundo corporativo. Um dos principais estopins do boom da profissão, deu-se nos EUA com a lei Sarbene- Oxley, criada em 2002, que apertou o cerco ao risco de fraudes, principalmente em grandes companhias. De lá para cá, houve valorização contínua da carreira, inclusive no Brasil.

A crise no País e os escândalos de corrupção em todos os níveis econômicos, antagonicamente, também intensificaram o aquecimento da carreira. Prova disso, foi o último Congresso Brasileiro de Auditoria Interna, que reuniu 750 participantes na edição 2016, recorde histórico, que deverá ser quebrado novamente na edição deste ano, no fim de novembro, no Rio de Janeiro.

Os investimentos nas áreas de compliance e auditoria interna, com função preventiva, têm sido satisfatória, mas ainda longe do ideal. A Lei Anticorrupção, que passou a criminalizar as empresas também auxilia na eterna missão de sacramentar a necessidade de se impor no país, ambientes corporativos mais transparentes, justos e honestos.

Contar com o apoio de stakeholders e da direção da empresa é fundamental, mas o maior desafio é formar um time de profissionais preparados e éticos. E isso só será possível se houver investimentos em capacitação e na contratação de auditores certificados, que seguem as melhores práticas profissionais internacionais dispostas no IPPF – International Professional Pratices Framework – considerada a bíblia do auditor interno.

Possíveis corruptores precisam estar cientes de que, naquela empresa, há guardiões de processos, uma equipe de auditores com visão holística de toda a companhia, capazes de evitar perdas milionárias à corporação, e blindados contra qualquer oferta de propina ou conivência de desvios de recursos.

No passado, o auditor interno era visto apenas como um xerife, um detetive de olho em deslizes de funcionários. Hoje, o conceito moderno ampliou o seu papel. Ele é capaz de gerar valor ao apontar melhorias que incluem até mesmo um ajuste cultural na empresa. Contudo, essa etiqueta, de um executivo sério e de respeito, de alguém que não aceitará falcatruas internas, deve continuar a ser ressaltada, ainda mais na era da Lava Jato. Não é uma questão de gerar temor no ambiente corporativo, mas sim, mostrar aos tentadores e tentados que ali a corrupção não é normal, não será bem vinda e certamente será coibida e punida.

Braselino Assunção
Foto: II-Brasil/Divulgação

 

*Braselino Assunção é diretor geral do Instituto dos Auditores Internos do  Brasil – IIA Brasil

Estudo define perfil ideal de um líder de auditoria

Em tempos em que os níveis de corrupção passaram a ser inaceitáveis pela sociedade brasileira, cresce a responsabilidade da atuação dos chamados CAE – Chief Audit Executive – os chefes de auditoria. A posição tem sido cada vez mais valorizada pelo mercado, mas a cobrança por profissionais éticos e eficientes também foi elevada.

Esse cenário global de aquecimento da carreira, impulsionou o The IIA – Institut of Internal Auditors, principal organismo de auditoria do planeta – a produzir um estudo que traça, entre outras pontos, as sete principais habilidades que definem um líder da profissão, como um executivo capaz de agir com integridade, combatendo fraudes e gerando ganhos financeiros para a organização em que atua.

Entre os sete insights, frutos de entrevistas com quase 15 mil profissionais de 166 países, estão, além de ética e liderança, a necessidade de um CAE ter profundo entendimento do negócio e de seus riscos. Não basta auditar! É preciso aplicar, constantemente, coerentes análises munidas de raciocínio estratégico e crítico – outras duas características fundamentais apontadas no estudo.

“Trata-se de um levantamento riquíssimo, repleto de detalhes, que servirá de bússola para que as corporações sejam capazes de identificar quem realmente está qualificado para liderar a área de auditoria. A responsabilidade é imensa e é preciso constante capacitação. Um chefe de auditoria despreparado ou com perfil inadequado, pode levar a organização para a UTI”, alerta Braselino Assunção, diretor geral do Instituto dos Auditores Internos do Brasil – IIA Brasil, entidade responsável pela tradução e divulgação do estudo no País.

Outro item interessante é a chamada ‘presença executiva’.De acordo com o levantamento, o chefe de auditoria precisa ter a postura equivalente aos principais profissionais da organização, sabendo se impor em momentos de decisão, junto ao conselho e a alta cúpula. Para tal, também é preciso que o CAE tenha habilidade lapidada em comunicação, a para transitar com perspicácia entre diferentes públicos dentro de uma companhia.

O estudo completo, que traz as sete características e competências dos líderes de auditoria interna da atualidade, está disponível aos associados do IIA Brasil e para aquisição no site da entidade: www.iiabrasil.org.br.

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Braselino Assunção é diretor geral do IIA Brasil, entidade responsável pela tradução e divulgação do estudo no País (Foto: IIA-Brasil/Divulgação)