Brasil receberá elite da auditoria mundial

O maior evento de auditoria já realizado no Brasil já tem data definida. Entre os dias 21 e 24 de outubro, a paranaense Foz do Iguaçu se transformará na capital da ética do País, ao sediar a 23a edição do Clai (Congresso Latino-americano de Auditoria Interna). A expectativa é reunir mais de mil profissionais em torno de temas como gestão, combate a fraudes e corrupção corporativa, e transparência de organizações públicas e privadas.

São esperados alguns dos mais respeitados auditores do planeta como Richard Chambers, presidente do The IIA – Institute of Internal Auditors – a principal instituição da carreira no mundo, com 190 mil associados. Também virá ao Brasil, Paul Sobel, ex-presidente do The IIA, Jonathan Calvert, editor de investigações do jornal The Sunday Times e o executivo japonês Naohiro Mouri, próximo presidente do The IIA.

Serão mais de 30 painéis que destacarão questões envolvendo Lava Jato, Lei Anticorrupção, compliance, auditoria governamental, prevenção a fraudes, Data Analytics e auditoria de TI. Também estão previstas realizações de debates inéditos com a presença de gestores de corporações internacionais.

De acordo com Braselino Assunção, diretor geral do IIA Brasil (Instituto dos Auditores Internos do Brasil), uma das entidades promotoras do Clai, a realização do congresso no país é aguardada com enorme expectativa por importantes gestores de organizações internacionais, curiosos em entender, com mais detalhes, o processo histórico de combate à corrupção que vem sendo realizado no país. “Os auditores estão nos holofotes dos grandes acontecimentos. São eles os guardiões da ética e governança corporativa e a melhora dos níveis de transparência e confiabilidade de uma organização, passa, efetivamente, pelo crivo desses profissionais”, comenta Assunção.

Ao longo dos próximos meses, o IIA Brasil divulgará detalhes dos principais painéis e sobre a participação dos Keynote Speakers que comandarão apresentações para centenas de auditores. As inscrições para o congresso já estão liberadas e podem ser realizadas por meio do site: claiflai.org.

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Foz do Iguaçu reunirá algumas das principais estrelas da auditoria global durante os quatro dias do Congresso Lationo-americano de Auditoria Interna

Serviço

CLAI – 23º Congresso Latino-americano de Auditoria Interna

Quando: 21 a 24 de outubro

Local: Rafain Palace Hotel & Convention Center

Inscrições e informações: eventos@iiabrasil.org.br –  claiflai.org

Brasil receberá um dos maiores influenciadores globais em auditoria interna

Se auditoria interna fosse uma religião, Norman Marks seria um de seus principais sacerdotes. Considerado o mentor de diversas empresas multinacionais no mundo, o especialista é reconhecido como expert em gerenciamento de riscos e um dos responsáveis pela concepção e aplicação da Lei Sarbanes-Oxley (Sox), que transformou a forma de gestão de empresas nos Estados Unidos, a partir de 2002.

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O americano Norman Marks será um dos keynotes speakers do Conbrai este ano

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Corrupção na mira de auditores éticos 

* Por Braselino Assunção

O momento é histórico. As delações premiadas estão abrindo o livro de um Brasil que todos imaginavam existir, mas que faltava ser escancarado, com detalhes, estruturas e a dolorosa realidade das fraudes corporativas. Entre as incontáveis revelações expostas diariamente pela mídia, a população passou a conhecer também o papel do auditor interno, um dos protagonistas na eterna luta entre a ética e o ilícito. Sua missão é a de mitigar riscos, prevenir perdas financeiras e identificar processos passíveis de corrupção, mesmo que isso signifique apontar o deslize de um colega de anos de profissão.

A Lava Jato tem mostrado ao País que a ação de auditor interno é crucial em corporações, sejam públicas ou privadas. Mas esse profissional, além de eficiente, tem que ser idôneo, resistente às tentações de um cenário voraz, que sempre teve como tônica a impunidade e o infortúnio do chamado jeitinho brasileiro.

As investidas são incontáveis e constantes. Recente pesquisa feita em 166 países, divulgada pelo The Institute of Internal Auditors – o principal organismo da carreira no mundo – revela que 44% dos auditores brasileiros já sofreram, em algum momento, pressão de seus superiores para alterar resultados de relatórios nas organizações em que atuam. O dado o preocupante é bem superior aos 29% da média global.

Ter profissionais qualificados e departamentos de auditorias estruturados se tornou busca constante no mundo corporativo. Um dos principais estopins do boom da profissão, deu-se nos EUA com a lei Sarbene- Oxley, criada em 2002, que apertou o cerco ao risco de fraudes, principalmente em grandes companhias. De lá para cá, houve valorização contínua da carreira, inclusive no Brasil.

A crise no País e os escândalos de corrupção em todos os níveis econômicos, antagonicamente, também intensificaram o aquecimento da carreira. Prova disso, foi o último Congresso Brasileiro de Auditoria Interna, que reuniu 750 participantes na edição 2016, recorde histórico, que deverá ser quebrado novamente na edição deste ano, no fim de novembro, no Rio de Janeiro.

Os investimentos nas áreas de compliance e auditoria interna, com função preventiva, têm sido satisfatória, mas ainda longe do ideal. A Lei Anticorrupção, que passou a criminalizar as empresas também auxilia na eterna missão de sacramentar a necessidade de se impor no país, ambientes corporativos mais transparentes, justos e honestos.

Contar com o apoio de stakeholders e da direção da empresa é fundamental, mas o maior desafio é formar um time de profissionais preparados e éticos. E isso só será possível se houver investimentos em capacitação e na contratação de auditores certificados, que seguem as melhores práticas profissionais internacionais dispostas no IPPF – International Professional Pratices Framework – considerada a bíblia do auditor interno.

Possíveis corruptores precisam estar cientes de que, naquela empresa, há guardiões de processos, uma equipe de auditores com visão holística de toda a companhia, capazes de evitar perdas milionárias à corporação, e blindados contra qualquer oferta de propina ou conivência de desvios de recursos.

No passado, o auditor interno era visto apenas como um xerife, um detetive de olho em deslizes de funcionários. Hoje, o conceito moderno ampliou o seu papel. Ele é capaz de gerar valor ao apontar melhorias que incluem até mesmo um ajuste cultural na empresa. Contudo, essa etiqueta, de um executivo sério e de respeito, de alguém que não aceitará falcatruas internas, deve continuar a ser ressaltada, ainda mais na era da Lava Jato. Não é uma questão de gerar temor no ambiente corporativo, mas sim, mostrar aos tentadores e tentados que ali a corrupção não é normal, não será bem vinda e certamente será coibida e punida.

Braselino Assunção
Foto: II-Brasil/Divulgação

 

*Braselino Assunção é diretor geral do Instituto dos Auditores Internos do  Brasil – IIA Brasil