Auditor expert em gestão de riscos confirma presença em congresso no Brasil

Motivos não faltam para que os holofotes da auditoria global estejam voltados para Foz do Iguaçu, entre os dias 21 e 24 de outubro. Um deles será a presença de Paul Sobel, durante a 23a edição do Clai – Congresso Latino-americano de Auditoria Interna, evento que deverá reunir mais de mil profissionais em torno de temas como combate a fraudes, corrupção corporativa, gestão e transparência de organizações públicas e privadas.

Uma das estrelas do evento será Paul Sobel, atual chairman do COSO, Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission  – organização responsável por editar a publicação homônima, considerada a ‘Bíblia das orientações de gestão de riscos corporativos no planeta. Sobel é reconhecido como um dos executivos que mais conhece sobre o assunto.

Vice-presidente e diretor de auditoria da Georgia-Pacific, gigante americana da área de celulose e papéis, Sobel carrega em seu currículo passagens como líder em empresas públicas de energia, além de gerencias na PepsciCo e Arthur Andersen.

Também já foi chairman do The IIA – The Institute of Internal Auditors – a maior organização da profissão no mundo, com mais de 190 mil associados. Por seu engajamento e comprometimento com a promoção das premissas de gestão de riscos, foi selecionado para entrar no hall das “100  pessoas mais influentes de finanças do mundo” em ranking elaborado pela renomada revista Treasury & Risk.

“A presença de Paul Sobes no Clai será oportunidade singular para debatermos os futuros desafios que o auditor interno terá pela frente no que tange a condução da gestão de riscos corporativos”, lembra Braselino Assunção, diretor-geral do Instituto dos Auditores Internos do Brasil (IIA Brasil), uma das entidades promotoras do Clai. “Tê-lo como keynote é mais uma confirmação de que o congresso será histórico”, comenta.

Durante os quatro dias de congresso estão previstos mais de 30 painéis e debates, que destacarão questões envolvendo Lava Jato, Lei Anticorrupção, compliance, auditoria governamental, prevenção a fraudes, Data Analytics e auditoria de TI. As inscrições para o congresso já estão liberadas e podem ser realizadas por meio do site: claiflai.org .

Paul Sobel - divulgação
Paul Sobel, um dos principais nomes da auditoria interna mundial, será destaque no maior evento da carreira já realizado no país

 

Serviço

CLAI – 23º Congresso Latino-americano de Auditoria Interna

Quando: 21 a 24 de outubro

Local: Rafain Palace Hotel & Convention Center – Av. Olímpio Rafagnin, 2357 – Foz do Iguaçu

Inscrições e informações: eventos@iiabrasil.org.br – Tel.: (11) 5095-4045 – claiflai.org

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Os Auditores Internos Podem Auditar Qualquer Coisa – Mas Não Podem Auditar Tudo

*Richard Chambers, presidente do The IIA Global

Há momentos em que os clientes de auditoria interna e outros profissionais têm expectativas irreais sobre nossa profissão. Não é de surpreender, então, que possa haver confusão sobre o nosso papel. Afinal, os auditores internos usam muitos “chapéus”. Somos analistas, especialistas em controles, consultores, professores, parceiros de negócios, vigias, consultores financeiros, especialistas em conformidade e mais. Nós realmente podemos auditar quase qualquer coisa. Embora alguns riscos claramente exijam experiência adicional para auditar, como escrevi em um artigo de 2014, “você não precisa ser um palhaço para auditar o circo”. No entanto, como observei na época, embora possamos auditar qualquer coisa, não podemos auditar tudo.

Cada vez que uma grande falha de controle aparece nas manchetes, alguém inevitavelmente pergunta: “Onde estavam os auditores internos?” Como infelizmente vimos com muita frequência no ano passado, os auditores internos se engajaram e, de fato, fizeram alertas antes das calamidades. Mas os avisos não foram tratados satisfatoriamente pela administração. Dado o tamanho e a complexidade de muitas organizações hoje em dia, isso demandaria funções de auditoria interna incrivelmente grandes para lidar com todos os riscos que as organizações enfrentam. Às vezes, simplesmente não há recursos suficientes de auditoria interna para cobrir todos os riscos significantes e, sim, também há momentos em que a auditoria interna acaba por negligenciar um risco essencial, que se prova catastrófico.

Na melhor das hipóteses, a função de auditoria interna só consegue ser tão eficaz quanto os recursos, treinamento e talento disponíveis. Os auditores internos não são infalíveis e, dadas as realidades dos orçamentos e as justificativas de custos, também não podemos ser onipresentes.

Isso pode levar a lacunas de expectativa e mal-entendidos sobre o que os auditores internos podem fazer ou sobre o que está sendo abordado. Diversos estudos, nos últimos anos, observaram grandes lacunas entre as percepções dos auditores internos, dos presidentes de comitês de auditoria, dos membros de conselhos administrativos e da alta administração sobre como suas empresas gerenciam os riscos de fraude e ética. Um estudo da PwC de alguns anos atrás mostrou que 53% dos presidentes de comitês de auditoria, membros do conselho e da alta administração achavam que os riscos de fraude e ética eram bem administrados, enquanto apenas 35% dos chief audit executives partilhavam desse sentimento.

Peter Tickner, consultor do Reino Unido sobre questões de governança corporativa e fraude, observou as diferenças de opinião sobre quem é responsável pela dissuasão de fraudes e por estabelecer e avaliar a cultura ética. Citação de Tickner: “A alta administração estava convencida de que uma das principais funções do chief audit executive era lidar proativamente com os riscos de fraude e corrupção, enquanto, em geral, os CAEs viam isso como um problema e uma responsabilidade da alta administração”.

Se Tickner estiver certo, é hora de examinar seriamente os papéis e responsabilidades das “Três Linhas de Defesa”.

Infelizmente, nossas partes interessadas (stakeholders), às vezes, querem mais garantias do que podemos oferecer. Um bom exemplo é a área de cibersegurança. De acordo com o Instituto Ponemon, 7 em cada 10 organizações dizem que seus riscos de segurança aumentaram significativamente em 2017. Como Jonathan Crowe, da Barkly, observou recentemente, “o início de 2018 coincidiu com a impressionante divulgação das vulnerabilidades do Meltdown e do Specter, que colocam praticamente todos os sistemas operacionais e dispositivos do planeta em risco”.

As estatísticas são impressionantes e, obviamente, os auditores internos das organizações de hoje não podem dar garantia absoluta sobre os controles de cibersegurança de suas organizações. Quando se trata de riscos e controles, fornecemos garantias importantes, mas não podemos dar garantia ilimitada. E, embora realizar avaliações seja um papel essencial dos auditores internos, devemos nos precaver de dar garantias falsas. As expectativas dos nossos clientes não são criadas do nada. Eles podem ter expectativas irreais, simplesmente por terem “audição seletiva”, mas parte do problema também pode ser nossa. As lacunas de expectativa podem se desenvolver por causa de algo que dizemos ou fazemos, ou da maneira como dizemos. Ou elas podem resultar do nosso silêncio.

Todos nós explicamos regularmente o que podemos fazer pelas nossas organizações e como podemos agregar valor. É importante que as partes interessadas compreendam os benefícios da auditoria interna, por isso, incorporamos tais mensagens em nossos documentos, procedimentos, anúncios de auditoria, nossas reuniões de abertura de trabalhos e em outras comunicações. No entanto, embora possamos ser bons em explicar como a auditoria interna pode ajudar, talvez devêssemos gastar um pouco mais de tempo explicando as possíveis limitações de nossas capacidades, tendo em mente o antigo mantra de atendimento ao cliente, que diz que devemos “prometer menos e entregar mais”.

Sempre haverá riscos, não importa o que a auditoria interna faça. Certos desastres estão fadados a acontecer, independentemente do número ou da qualidade dos auditores internos que protegem nossas organizações. Quando as crises ocorrem, todos os olhos da organização podem se virar para a auditoria interna, para que ela avalie as causas e consequências. A canção da banda Lady Antebellum, I Run to You, diz bem: “este mundo gira cada vez mais rápido em direção a um novo desastre, então, eu corro para você”. É natural que a administração e o conselho recorram a nós após uma falha de risco ou de controle. Por mais que possamos tentar avaliar os principais riscos antes das falhas ocorrerem, não podemos auditar tudo. Essa é uma mensagem que merece destaque na hora de estabelecer as principais expectativas das partes interessadas.

Quais são suas opiniões sobre cuidar e monitorar as expectativas das partes interessadas?

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Richard Chambers é presidente do The IIA Global e mantém um blog atualizado sobre auditoria interna em inglês, francês e espanhol

Texto original em inglês, traduzido pelo IIA Brasil

ENA e DIAG capacitam servidores sobre Gestão de Riscos

Servidores estaduais, que atuam nas áreas de controle interno e auditoria, participaram nos dias 17 e 18 de julho, em Florianópolis, de uma capacitação sobre Gestão de Riscos. O evento é resultado da parceria entre a ENA (École Nationale d’Administrarion) e a DIAG (Diretoria de Auditoria Geral) e faz parte do 13° Programa de Capacitação de Servidores e Funcionários Públicos.

Na oportunidade, os auditores internos apresentaram o case da implantação da cultura de Gestão de Riscos no IMETRO e a responsável pelo Controle Interno da instituição, Juliana Fernandes, falou sobre os benefícios do projeto. Desde do início deste ano, a equipe da Auditoria Geral e os servidores do IMETRO trabalham nas seguintes etapas: avaliação do ambiente de controle, eleição de processo para identificação e avaliação de eventos de risco, resposta aos riscos selecionados e definição de procedimentos de controle.

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O auditor interno do Podeer Executivo Cicero Teixeira Barbosa palestrou sobre o procedimento de tomada de contas especial

Dentro da Secretaria de Estado da Fazenda, a DIAG é responsável pelo planejamento e implementação das atividades de fortalecimento do controle interno no Poder Executivo. Por isso, a Diretoria segue com o objetivo de ampliar o projeto para outras secretarias, autarquias e fundações da administração direta e indireta do Governo do Estado.

O que é Gestão de Riscos?

De acordo com o manual do Ministério do Planejamento, a gestão de riscos ou gerenciamento de riscos é um processo conduzido em uma organização, aplicado no estabelecimento de estratégias, que visa identificar, avaliar, administrar e controlar potenciais eventos ou situações capazes de afetar a realização de seus objetivos. Uma das funções da gestão de riscos é assegurar a concretização dos objetivos da organização e evitar os perigos e surpresas no cumprimento de suas missões institucionais.

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A responsável pelo Controle Interno do IMETRO, Juliana Fernandes, falou sobre a experiência da instituição com a Gestão de Riscos