Carta dos Auditores Internos do Poder Executivo à sociedade catarinense

Mais que irregularidades na aquisição de respiradores que seriam utilizados para salvar vidas na pandemia da Covid 19 em Santa Catarina, a CPI dos Respiradores da Assembleia Legislativa revelou à sociedade catarinense a importância do Controle Interno.

O trabalho dos Auditores Internos do Poder Executivo precisa ser profissional e autônomo. A decisão de não se investir no Sistema de Controle Interno custou caro aos catarinenses e, sobretudo, aos Auditores Internos. Tivemos nossa atuação primeiro cerceada, depois questionada.

Os erros, porém, também podem trazer valiosos ensinamentos. Se de um lado a CPI apontou 14 agentes públicos e privados como responsáveis por uma compra efetuada fora dos padrões e boas práticas estabelecidos pelas normas de Controle Interno, de outro tivemos importantes mudanças no comando da Controladoria-Geral do Estado, agora sob gestão de Auditores Internos do Poder Executivo aprovados em concurso público e devidamente habilitados para as funções, o que na prática fortalece o controle e é um passo importante na correta aplicação dos recursos públicos.

Que essa seja apenas a primeira lição aprendida nesse episódio triste. O Sistema de Controle Interno na administração pública estadual precisa ser fortalecido em todos os órgãos e blindado para que não sejam necessárias novas CPIs. É preciso investir verdadeiramente na prevenção e fortalecer não apenas o órgão central de controle, mas também o controle na ponta.

A credibilidade de um órgão central de sistema de controle só ocorre com sua autonomia. Esta, por sua vez, só existe quando há independência na condução dos trabalhos e adequados recursos humanos e financeiros disponíveis. Vale lembrar que o Poder Executivo de Santa Catarina tem menos de 50 Auditores Internos e que o último concurso foi realizado há 15 anos.

Apesar dos pesares, esperamos que esse episódio tenha jogado luz sobre a importância do nosso trabalho que, em essência, é agir para evitar o erro.

Diretoria do Sindiauditoria – Sindicato dos Auditores Internos do Poder Executivo do Estado de Santa Catarina

Artigo: Controle só com autonomia

Maurício Arjona, auditor interno do Poder Executivo e presidente do Sindiauditoria

Auditores internos: quem são? O que fazem? Para que servem? Não será surpresa se a maior parte dos leitores não tiver as respostas. Mas absolutamente todos os leitores, se forem contribuintes de impostos, já foram beneficiados pelo trabalho destes profissionais.

Os auditores internos do Poder Executivo do Estado são profissionais concursados que fiscalizam os processos do governo e têm, entre as funções, controlar e zelar pela qualificação do gasto público. Essa brevíssima explicação já deixa clara a necessidade e importância da autonomia para que possam realizar um trabalho sério. Afinal, somente com independência poderão sugerir boas práticas e corrigir processos.

Em Santa Catarina, somos menos de 50 auditores internos responsáveis pelo controle de todos os órgãos e autarquias, trabalho que já garantiu a economia de milhões aos cofres públicos. O Estado é nosso cliente, não os governos. E aqui não se trata absolutamente de rebeldia, mas de salutar autonomia.

Exatamente por isso, é uma grande conquista para o Estado ter no comando da sua Controladoria Geral auditores internos de carreira. Independentemente das mudanças nos governos, esses profissionais permanecerão nos quadros de controle e precisam manter suas reputações e autonomias.

Santa Catarina, infelizmente, assistiu o que pode acontecer quando a Controladoria atua mais para defender que para fiscalizar um governo. Leia-se o caso dos respiradores “fantasmas”. De outro lado, felizmente, o erro foi corrigido. Será trabalhoso e levará algum tempo para que se limpem os respingos que atingiram injustamente nossa carreira. Mas com união, muito trabalho e, especialmente, autonomia, voltaremos ao bom rumo e retomaremos projetos interrompidos, como o da implantação gestão de riscos em toda a administração pública.

Muitos governos passarão e sempre haverá tempestades, mas é preciso ter em mente que a água que afunda o barco é a de dentro. Que a sociedade possa contar conosco para manter o barco navegando hoje e sempre.

Artigo publicado no Jornal Notícias do Dia de 30 de julho de 2020

Artigo: Novos caminhos para o controle

Cristiano Socas, auditor interno e controlador-geral do Estado

É durante as fases de maior adversidade que surgem as grandes oportunidades de se fazer o bem a si mesmo e aos outros. A frase não é minha, mas se encaixa bem ao momento que vivemos. Ao assumir a Controladoria Geral do Estado (CGE), a convite do Governador, recebo um desafio enorme, que obviamente não superarei sozinho.

Acredito que a chave para o sucesso da gestão está na união do grupo. A CGE tem um corpo funcional pequeno, mas muito qualificado. Profissionais que já dedicaram bons anos de suas vidas ao Estado, implantaram soluções inclusive copiadas por outras unidades e que, nos últimos meses, tiveram sua ação questionada injustamente. Mas tudo é aprendizado que fortalece.

O momento é oportuno para reconstruirmos pontes, olharmos para os objetivos comuns e construir outros tantos resultados positivos para Santa Catarina. O governo quer acertar, nós queremos trabalhar e sabemos como ajudar.

Nossas bandeiras seguem sendo governança, gestão de risco, controle e, mais do que nunca,  prevenção. Temos que agir para evitar o erro e qualificar cada vez mais o serviço público. Essa talvez seja uma oportunidade de trazer luz ao nosso trabalho e mostrar à sociedade a importância do que fazemos. Muitos não sabem o que é e o que faz um auditor interno, justamente porque nosso trabalho não é aparecer, mas atuar nos bastidores para que os gestores possam mostrar bons resultados.

Nos cabe orientar órgãos, autarquias, fundações públicas e empresas estatais. Devemos ser consultados quando há dúvidas, embora busquemos sempre nos antecipar, estimulando boas práticas.

Nossa missão não é das mais confortáveis. Dentro do governo, uma brincadeira recorrente quando chega um auditor interno em um órgão é ouvir duas “mentiras”: seja bem-vindo e volte sempre. Talvez porque muitos nos vejam apenas como apontadores de erros. Na verdade, revelamos as inconsistências sim, mas a auditoria moderna aponta também para as soluções e oportunidades de melhoria, pois o nosso objetivo basilar é agregar valor à gestão. E, nessa toada,  já possibilitamos economias milionárias aos cofres públicos do Estado.

SC se acostumou a padrões elevados de exigência por parte de seus cidadãos e até dos próprios servidores. Por parte da CGE essa expectativa será não apenas mantida, mas superada.

  • Artigo publicado no Jornal Notícias do Dia de 22 de julho de 2020