Grupo do Conaci sobre IA-CM debate agenda nacional

O coordenador de Gestão Estratégica da CGE/SC, Frederico da Luz, e a gerente de Auditoria de Controle Interno e Gestão de Riscos, Marisa Zikan da Silva, reuniram-se com os membros do grupo nacional de Cooperação Técnica sobre IA-CM, coordenado pelo Conaci (Conselhor Nacional de Controle Interno). Ao total, cerca de 15 órgãos participaram da videoconferência realizada na manhã desta quinta-feira, 1 de agosto.

Entre os assuntos da pauta, o Seminário de Auditoria Baseada em Riscos  (ABR) que será organizado pela CGU e SERPRO, presencial em Brasília (TCU) e transmitido pelo YouTube ao vivo. O evento ocorrerá nos dias 9 e 10 de setembro das 8h30 às 17h. Na programação, os temas: Gestão de Riscos; Modelo de Auditoria Baseada em Riscos (ABR) do IIA, KPAs do IA-CM relacionados e normas nacionais aplicáveis; Experiência da Consultoria e Auditoria baseada em Riscos da CGDF; E avaliação da Maturidade da Gestão de Riscos. “Entendemos que o seminário é muito interessante e por isso, além da possibilidade de participação presencial, estamos estudando a possiiblidade de transmitir o evento aos Auditores do Estado, interessados em participar”, explica Frederico.

Outra novidade é o lançamento nacional de um curso EAD sobre IA-CM, com apoio do Banco Mundial e Conaci. Ainda em fase de preparação, em parceria com a Universidade SERPRO, a previsão é de que o conteúdo esteja disponível em novembro. Na pauta também, o Programa de Gestão e Melhoria da Qualidade (PGMQ) e a elaboração do Plano de Negócios do Conaci.

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Os Auditores do Estado Frederico da Luz e Marisa Zikan da Silva representam a CGE/SC  na equipe nacional coordenada pelo Conaci
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Corregedorias do Estado e da PMSC trocam experiências

Na tarde da última terça-feira, 30 de julho, a equipe da Corregedoria-Geral do Estado de Santa Catarina (CORREG/CGE) realizou uma visita institucional à Corregedoria da Policia Militar (CORREG-G/PMSC) com o propósito de conhecer e compartilhar experiências. A CORREG/CGE foi recebida pelo corregedor, Coronel Jeferson Braz de Oliveira e sua equipe, que apresentou o sistema de tramitação dos Processos Administrativos Disciplinares desenvolvido pela própria PM. O corregedor-geral do Esstado, Cícero Alessandro T. Barbosa, elogiou os trabalhos da PMSC, dizendo que a corporação é referência no Estado no assunto correicional.

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Na foto, da esquerda para a direita: Major Diego Pereira Chanes, Tenente Coronel Márcio Maienberger Coelho, Cícero Alessandro T. Barbosa (Corregedor-Geral do Estado) Coronel Jeferson Braz de Oliveira (Corregedor PM), Fabiana Borges, Viviane Lótici, Alexandre André Vissotto, (equipe CORREG/CGE) e Primeiro Tenente Daniel Stangherlini Machado.

A Auditoria Interna pode trabalhar para os indivíduos errados — Mas não para as “pessoas erradas”

*Richard Chambers, presidente do The IIA Global

Meu papel como chefe de uma organização global me oferece a oportunidade de interagir com pessoas que apreciam uma certa quantidade de celebridade e fama. Atuar como presidente e CEO do The IIA me proporcionou a oportunidade de conhecer chefes de estado, membros do Congresso dos EUA, o secretário-geral das Nações Unidas e diversos diplomatas, acadêmicos e atores.

Embora seu conhecimento e excelência em seus respectivos campos de atuação tenham ajudado a elevá-los ao status de celebridade, seu conhecimento e apreciação pela auditoria interna geralmente são limitados. Uma exceção interessante e notável é o ator Richard Dreyfuss, ganhador do American Academy Award, palestrante principal da recém realizada International Conference de 2019 do The IIA.

A célebre carreira de Dreyfuss se estende por mais de 50 anos, incluindo seu papel como o infame Bernie Madoff na aclamada mini-série Madoff, da ABC. Mas é o seu trabalho fora de Hollywood que fortaleceu sua visão sobre a importância da prestação de contas, confiança e transparência nos setores público e privado. Sua dedicação para melhorar a transparência e a prestação de contas, especialmente no governo, se manifesta na criação da The Dreyfuss Civics Initiative. A fundação sem fins lucrativos e apartidária foi criada em 2008, com o objetivo de reviver “o ensino da educação cívica na rede de ensino pública americana, para capacitar as futuras gerações com as habilidades de raciocínio crítico necessárias para atender o vasto potencial da cidadania americana”, segundo o site do grupo.

Ao me preparar para apresentar o “Fireside Chat” com Dreyfuss, que deu início à conferência, passei várias horas em profunda discussão com ele. Durante esse tempo, ficou claro para mim que a sua paixão pelo que fazemos é intensa e sincera.

Isso ficou evidente enquanto ele palestrava para os mais de 2.500 participantes da conferência na sessão geral de abertura. Em várias ocasiões, ele se dirigiu diretamente ao público dizendo: “vocês estão trabalhando para as pessoas erradas”. Seu ponto: o trabalho da auditoria interna ao fornecer uma avaliação independente, de prestação de contas e transparência é importante demais para ser mantido dentro da organização.

Seus comentários foram chocantes para mim, como acredito que tenham sido para muitos na plateia. Uma das verdades fundamentais sobre a auditoria interna é que nosso trabalho é interno à organização. Meu pensamento inicial foi que Dreyfuss não entendia o funcionamento da auditoria interna, de um modo geral. Porém quanto mais eu refletia sobre seus comentários — sinceramente, não consegui tirá-los da cabeça por algum tempo — mais eu fui levado à acreditar que ele estava certo.

Às vezes, trabalhamos sim para as pessoas erradas.

Para ficar mais claro, Dreyfuss estava se referindo à estrutura da auditoria interna trabalhando dentro da organização e reportando-se à diretoria executiva e a administração quando ele disse: “vocês estão trabalhando para as pessoas erradas”. Eu Discordo. Mas concordo que há momentos em que “os indivíduos errados” ocupam diretorias e posições executivas.

Muitas vezes, os membros do conselho são escolhidos por quem conhecem, não pelo que sabem. Muitas vezes, membros do conselho preferem seguir os demais para manter bons relacionamentos. Muitas vezes, os CEOs ou presidentes do conselho são motivados pelo que é melhor para si e não pelo que é melhor para a organização. Vimos muitos exemplos recentes disso em escândalos corporativos ao redor do mundo.

Mas é importante entender que, quando isso acontece, a deficiência não está na estrutura, mas nos indivíduos que ocupam papéis-chave dentro dessa estrutura.

A boa governança é complexa e exige que cada pessoa-chave do processo seja eficaz. Isto requer um conselho de administração que seja questionador, informado, cético e disposto a apoiar uma avaliação independente e objetiva. Isto requer ainda uma administração que apoie o sucesso a longo prazo, em detrimento dos ganhos de curto prazo, e que apoie a função de avaliação independente cujo o único objetivo é o de promover e proteger o valor da organização.

Quando o conselho de administração ou a gerência executiva não cumprem com seu papel na governança, isso torna o trabalho de auditoria interna ainda mais difícil.

Frenquentemente, os profissionais me perguntam qual a melhor forma de lidar com tabus que poderiam lhes custar o seu emprego. Minha resposta padrão é que os auditores internos devem ter a coragem em assumir os desafios que vêm associados com sua função. No meu segundo livro, Trusted Advisors: Key Attributes of Outstanding Internal Auditors, eu defino a coragem como: “ser bravo o suficiente para fazer a coisa certa, mesmo diante do risco profissional ou pessoal”. Mas é especialmente difícil e desanimador demonstrá-la, quando aqueles acima de você e ao seu redor falham em fazer a coisa certa.

O número de fracassos e escândalos corporativos recentes está gerando insatisfação com os conselhos, com a administração e com a auditoria interna. Os investidores e reguladores estão buscando cada vez mais prestação de contas e transparência. Mas não podemos examinar esse crescente descontentamento e pressão sobre os stakeholders em um vácuo.

A velocidade com que avança a tecnologia e as crescentes interdependências globais estão acelerando os riscos e as interrupções. A capacidade de lidar com eles requer que todos os participantes do processo de governança estejam bem preparados. A auditoria interna deve apoiar a boa governança, adaptando-se às mudanças tecnológicas, fomentando relacionamentos de apoio mútuo com os stakeholders e tendo a coragem de se manifestar quando as coisas derem errado.

O nosso objetivo deve ser de cultivar relações de trabalho ideais com nossos stakeholders, que levem a uma auditoria interna eficaz e eficiente, e a uma governança de alta qualidade. Só então poderemos dizer que estamos trabalhando para os indivíduos certos e para as pessoas certas.

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Richard F. Chambers, presidente e CEO do Global Institute of Internal Auditors, escreve artigos semanais para um blog da InternalAuditor.org sobre assuntos e tendências relevantes para a profissão de auditoria interna.