Congresso Brasileiro de Auditoria Interna consolida tendência do novo perfil da profissão

Foram três dias de intensos debates em torno de temas como Lei Anticorrupção, combate a fraudes e gestão de riscos. São Paulo recebeu quase 700 profissionais durante o Conbrai (Congresso Brasileiro de Auditoria Interna) em um evento histórico, com 28 painéis e a presença de renomados keynotes internacionais. Esta 37a edição entra para a história como a maior já realizada sobre a carreira no País e revela a necessidade de auditores atuarem como ‘conselheiros estratégicos’ nas organizações.

O congresso foi palco da divulgação da pesquisa ‘Auditoria Interna no Brasil, uma análise comparativa das tendências globais para uma função em transformação’, produzida pela Deloitte em parceria com o Instituto dos Auditores Internos do Brasil (IIA Brasil). O estudo revelou um raio x completo sobre o futuro da profissão, mostrando, por exemplo, que 48% dos auditores entrevistados no país esperam que o perfil de atuação passe a ser mais próximo ao de consultor de negócios, visão antagônica à imagem que se tinha de um auditor no passado, visto quase como um policial dentro da empresa.

É consenso entre especialistas que o papel moderno do auditor interno deva ser o de gerar valor à organização ao retratar, por meio de visão focada, todos os processos estratégicos e os riscos de negócios da empresa em que atua. “Estamos cada vez mais integrados à alta administração das companhias, que contam com a expertise de auditores capazes de gerar conhecimentos importantes que auxiliem nas principais tomadas de decisões. O foco agora é estratégico”, avalia Andre Marini, diretor-presidente do IIA Brasil, entidade organizadora do congresso.

Essa proximidade com o conselho de administração, acionistas e gestores também foi ressaltado por Doug Anderson, diretor do The IIA (The Institute of Internal Auditors), principal entidade de auditoria do mundo. Na apresentação que abriu a conferência, o americano ressaltou a necessidade de o auditor saber que é preciso ir além do que é solicitado. “Se algo aparentemente vai bem, desconfie. A gestão precisa que você enxergue o que ninguém vê”, disse Doug que é um dos mais respeitados conhecedores de GRC (Governança, Risco e Compliance) e um dos revisores da certificação de gerenciamentos de riscos ISO 31000.

Gestores também interagiram com os auditores, como Rômulo de Mello Dias, presidente da Cielo, que liderou debates sobre ética e governança corporativa. Outro painel inédito reuniu executivos do Banco Itaú, da PwC, da EBC, da filantrópica AACD e do Instituto Ética nos Negócios em torno do papel da auditoria interna no combate à corrupção. Foi retratado como surge uma denúncia, quais canais e ferramentas devem ser utilizadas e quais os níveis de transparência que as empresas brasileiras necessitam alcançar.

Soluções para os desafios de combate à fraude também deram o tom na apresentação de Jorge Badillo, presidente da Fundação Latinoamericana de Auditores Internos, que pontuou sete teorias de enfrentamento a atos ilícitos por meio do que ele chama ‘Uma viagem à essência do problema’. “Os países da América Latina tem evoluído na implantação de programas de fortalecimento da governança, mas ainda há muito para avançar e é um trabalho que exige investimentos relevantes nas áreas de auditoria de corporações”, revelou.

Governo federal

A esfera da atuação de auditores em órgãos públicos foi abordada em diversas trilhas e painéis. Um dos principais destaques foi a palestra de Francisco Bessa, secretário federal de controle interno, da CGU (Controladoria-Geral da União) que apresentou um panorama com os principais projetos que estão em curso, visando resultados preventivos de combate a desvios de conduta e fraudes com o dinheiro público.

A conferência contou ainda com a presença de Leticia Lucas, diretora de auditoria da ESM (Mecanismo Europeu de Estabilidade, na sigla em inglês), uma das maiores instituições financeiras do mundo, criada pela União Europeia (UE). A executiva retratou os desafios de lidar com a imensa carga de responsabilidade de zelar por bilhões de euros do fundo, instituído para auxiliar nações em dificuldades econômicas como Grécia, Chipre e Portugal.

Segundo a direção do Conbrai, foi surpreendente a quebra de recorde em participação. “O sucesso é mérito do cuidado da equipe organizadora, de estruturar painéis com forte conteúdo técnico e com discussões vanguardistas. A maciça presença é um termômetro eficaz que comprova a ascensão da profissão, cada vez mais valorizada no país”, afirma Marini.

Visão dos catarinenses

Para o coordenador do Observatório da Despesa Pública em Santa Catarina, André Pinheiro de Oliveira, o Conbrai se tornou importante por abordar o contexto atual em que se situa a auditoria interna e o direcionamento quanto às ações futuras que as organizações devem seguir para se manter em um contexto moderno, atuante, eficiente e eficaz. Entre os assuntos da programação, o auditor interno acredita que a discussão sobre o modelo de Sistema de Controle Interno, tanto no âmbito privado como público, foi um ponto importante que ele deseja compartilhar. Em especial, o consenso de que há três linhas de defesa aplicadas aos processos de gerenciamento de riscos e controle da organização: Execução (autocontrole), Supervisão (orientar e fiscalizar) e Avaliação (melhorar a gestão). Outro ponto interessante para Oliveira, foi a apresentação da pesquisa realizada com os gestores das organizações, o que mais esperam da auditoria é a análise de dados (data analytics) e antecipação a riscos estratégicos (gestão de riscos alinhados ao plano estratégico da organização).

Neste mesmo sentido, o gerente de Auditoria de Despesas de Custeio, Cícero Teixeira Barbosa, destaca que foi possível através das discussões observar como as grandes organizações privadas, em especial as instituições financeiras, vêm instituindo e aprimorando com êxito os mecanismos de controle, até mesmo em face às constantes exigências do mercado, cujo investidor busca aplicar seu dinheiro em empresas sólidas e que, além de lucratividade, sejam detentoras de um sistema de auditoria e controle íntegro e fielmente alinhado às modernas técnicas e conceitos. “ A auditoria governamental, por sua vez, vem paulatinamente incorporando as técnicas já consolidadas de fiscalização e controle, com foco na gestão e monitoramento de riscos no ambiente corporativo, perpassando pelo fortalecimento das linhas de controle e antecipando-se a possíveis eventos internos ou externos que possam vir a afetar o equilíbrio e a estabilidade financeira da administração pública”, reforça Barbosa.

Além de Oliveira e Barbosa, representaram Santa Catarina no evento os auditores internos do Poder Executivo Maurício Martins Arjona, Fátima Sulzbach, Magali Ramlow Campelli e André Pinheiro de Oliveira.

conbrai_2016

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