ARTIGO: A polêmica do rodízio e a criação da Auditoria Participativa

* Por Andre Marini

A ética corporativa nunca esteve tão presente nos holofotes da mídia como agora. A sociedade clama por transparência em um processo de transformação histórico e irreversível no que diz respeito a não aceitação de atos ilícitos em todas as alçadas. Nesse borbulhar de questionamentos sobre quais mecanismos devem ser aplicados em prol de uma governança boa e saudável, um dos temas que volta à tona é a discussão sobre a obrigatoriedade de promover alteração do auditor independente em uma empresa, uma medida há tempos debatida mas que conta com importantes inferências que precisam ser abordadas em análise ampla.

Pelas lentes da auditoria interna, que responde diretamente ao conselho de administração de uma organização, o rodízio do auditor externo não traz significativas mudanças, visto que a ação colaborativa- no sentido de fornecer subsídios e materiais para avaliações – deve ser mantida. Entre os aspectos positivos, os novos auditores costumam trazer uma visão diferenciada, que pode contribuir com sinergias, apontamentos construtivos e importante leitura ainda mais clara dos sistemas de controles internos. Surgem nessas mudanças recomendações com o intuito de estimular a aderência ao planejamento estratégico da empresa. A grande vantagem é que essa nova equipe, que acaba de chegar, proporá novas abordagens e um enfoque, muito provavelmente, distinto da praticada pela equipe anterior, embora o objetivo seja o mesmo, ou seja: avaliar controles internos, validar saldos, realizar testes substantivos e de conformidade, para posterior emissão do parecer dos auditores independentes.

Vale destacar que há desafios e situações relevantes dessa opção, que impactam principalmente nos custos da operação de transição. A nova auditoria independente precisará de dezenas de horas a mais de trabalho para começar a entender melhor o negócio de quem irá auditar. Leva-se tempo para um raio x minucioso e esse tempo impacta em consumir energia de quem recebe os auditores internamente e claro, no bolso da organização. A rotina é alterada, esse entrosamento que já acontecia com o time anterior precisa ser concebido novamente. Há um período de maturação que, muitas vezes, pode demandar mais tempo para que os novos auditores estejam aptos a emitir suas opiniões.

A atuação do auditor externo é fundamental em um processo de transparência e na elucidação dos conceitos de governança e compliance, garantindo a confiabilidade almejada pelos acionistas. Eles agem embasados em colher evidências para fundamentar sua opinião e, costumeiramente, colaboram no oferecimento de pontos de aprimoramento.

Cabe destacar que as similaridades desses conceitos e as incisões dessas ações, por exemplo, permitiu o lançamento do programa pioneiro de Auditoria Participativa criada em 2013 pelos auditores da Secretaria de Controle Interno da Presidência da República, para avaliar os possíveis impactos sociais gerados pelas obras da Copa do Mundo FIFA 2014. Esta nova e exitosa metodologia de auditoria, que inclusive já atravessou o oceano atlântico, visa dar voz e empoderar a sociedade, permitindo, como na auditoria “tradicional” que gestores tenham a possibilidade de corrigirem rumos e adotarem medidas saneadoras. É ouvir, colher informações técnicas e auditá-las, para traçar um diagnóstico que possa ser útil a quem tem a missão de tomar decisão.

André Marini

*presidente da diretoria executiva do Instituto dos Auditores Internos do Brasil – IIA Brasil

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