Bira Rezende volta como braço direito de Colombo

O professor universitário e PhD em Administração Pública Ubiratan Rezende foi o primeiro nome anunciado pelo governador Raimundo Colombo (PSD) para formação de sua equipe, em 2010, e também o primeiro a deixar o colegiado em 2011. Agora, quando Colombo começa uma nova fase e aposta suas fichas para que 2013 seja o melhor ano de seu mandato, vai trazer o amigo e conselheiro novamente, dessa vez, para ser seu braço direito.

Ubiratan esteve em Santa Catarina há pouco mais de 10 dias para conversar com o governador, quando ouviu dele o convite para fazer parte de sua equipe novamente. Bira, como também é conhecido, colocou-se à disposição de Colombo e fez uma exigência: não quer exercer atividade de gestão. O cargo que será ocupado pelo professor universitário ainda não está definido. A oficialização deve sair ainda esta semana, já que Ubiratan precisa acertar sua saída da Universidade Ave Maria, nos Estados Unidos, onde dá aulas.

Bira é amigo do governador há 30 anos. Foi colaborador de Colombo na prefeitura de Lages e, no governo do Estado, foi secretário da Fazenda entre janeiro e outubro de 2011. Deixou a pasta dizendo que havia cumprido a missão que o governador lhe pediu. Publicamente, em diversas ocasiões, fez críticas aos interesses de grande parte da classe política brasileira e à forma como o processo político é conduzido no país. Entrou na secretaria com a expectativa de implantar um modelo de gestão e saiu assumindo uma frustração por perceber que as amarras político-partidárias do governo eram mais fortes.

Apesar disso, Bira acredita que o cenário político catarinense comece a mudar e, talvez, o governo tenha mais liberdade de ação em relação às alianças que o levaram ao poder.

Desde que voltou aos EUA em 2011, Bira não perdeu contato com Colombo. Nos primeiros meses, ainda se mantinha informado sobre os assuntos catarinenses.

A partir de agora, vai atuar como conselheiro e acompanhar as obras e políticas que Colombo definir como as prioridades do governo.

“O governo é completamente amarrado”

Ubiratan Rezende – Ex-secretário da Fazenda, professor universitário nos EUA.
Nesta entrevista, feita por telefone, o professor universitário defende uma nova concepção de governo e diz que vai acompanhar projetos considerados prioritários pelo governador Colombo.

Diário Catarinense – Quando o senhor recebeu convite para voltar ao Estado?

Ubiraran Rezende – O governador me pediu para dar um pulo aí na semana retrasada e pediu que voltasse para ajudá-lo.Tem duas questões que precisam ser resolvidas. A primeira é a questão de uma definição rápida da logística do meu retorno, que tem que ser feito até o dia 30. Caso contrário, não tenho condições de pedir o desligamento (da universidade). O segundo aspecto é que não gostaria, e isso ele (Colombo) já aceitou, de estar envolvido com gestão administrativa. É algo que não desejo. Ele pediu que pudesse acompanhar algumas medidas de governo importantes. Seria uma espécie de braço direito em questões que ele vai definir como prioridade.

DC – Que cargo seria esse?

Ubiratan – A questão de cargo não tem a menor importância. Pode ser uma assessoria dele ou a Secretaria de Assuntos Internacionais. O secretário Alexandre Fernandes vai sair. Desde que fique bem claro que estou indo aí para ajudar um amigo naquelas questões que ele considera urgentes e prioritárias no governo.

DC – O senhor participou do governo como secretário da Fazenda em 2011 e ao sair disse que sentia uma certa frustração porque não conseguiu realizar tudo pelas amarras político-partidárias. Isso tem a ver com o fato de não querer um cargo de gestão?

Ubiratan – Exatamente. Essa é a razão. O processo político no Brasil é de acomodação de grupos numa tentativa de conquistar o Estado, o Estado como Poder Executivo, Legislativo. Ocupar esses espaços. É muito difícil conseguir fazer a integração de todos esses interesses. Se conquista o poder baseado nessa acomodação de diferentes grupos políticos. Na primeira vez, achei que a gente pudesse fazer alguma coisa nesse sentido, de tentar fazer essa integração. Mas ficou muito claro que não é possível. Então, não quero voltar a participar disso. Agora, existem assuntos que ele considera prioritários, bem pontuais, e nesses aí eu posso ajudar.

DC – O senhor tinha a expectativa de que, talvez, o governador seguisse por um caminho diferente dessa lógica do processo político atual. Acredita que se ele não fez no início do mandato, não consegue mais?

Ubiratan – Tenho a impressão de que ele tentou levar o governo dele dentro da lógica política que as circunstâncias exigiam, esperando que a evolução do processo no país começasse a abrir a possibilidade de fazer uma outra dinâmica de gestão pública. Como já está acontecendo. A lógica política prevalente no Estado é de deixar com que as coisas amadureçam, devagarinho, o próprio dia a dia vai gerando outras condições. E o governador é um mestre. Vai com paciência.

DC – O senhor acredita que o governador está conseguindo se livrar das amarras políticas?

Ubiratan – Acho que ele começou o processo.

DC – Muito se fala que 2013 tem que ser o melhor ano do governo, já de olho em 2014.

Ubiratan – Acho que seria maravilhoso se fosse possível em 2013 implementar uma mudança drástica de concepção. O governo é completamente amarrado. Olhando a estrutura da folha, se vê os interesses encastelados dentro da estrutura. Não é possível manter todos os direitos adquiridos dentro da folha porque o Estado não tem condições.

Fonte: Mayara Rinaldi/DC

Desencantado
Parece que o professor Ubiratan (Bira) Rezende não anda nadinha entusiasmado em ocupar novamente um cargo público. Já tomou, inclusive algumas providências para descartar quaisquer expectativas ao revelar seu perfil no Facebook: “Sou católico, casado com a Niki há mais de 40 anos, pai de seis filhos. Especialista em regimes políticos e na condução de equipes de gestão de pronta-resposta. Alguém que trabalha de porta aberta.”

LUZ, FORÇA, AÇÃO – Por indicação quase que unânime do conselho, assume amanhã a diretoria técnica da Celesc o engenheiro James Giacomelli. Ganha a Celesc , com um profissional de carreira e, principalmente, de campo.
Fonte: Cacau Menezes/DC

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