A greve e o caos nos hospitais

A situação dos hospitais estaduais em Florianópolis era delicada e grave antes de iniciada a greve dos servidores. Ficou dramática com a paralisação funcional. É impressionante o cenário exibido no Hospital Infantil Joana de Gusmão e no Hospital Celso Ramos. Um quadro que não é deste governo, mas que só vem se deteriorando há anos.
Falta tudo. A começar pela carência de servidores. Para sair da fase crítica, o Joana de Gusmão precisa urgente de 126 novos servidores. Para a normalidade, no mínimo, mais 400 admissões. Tem hoje 800 servidores trabalhando direto em quatro turnos. As reformas que ali são realizadas há anos tem um nome: improvisação. São remendos sobre reformas. O hospital tem 40 leitos fechados. O centro cirúrgico tem oito salas e desde a inauguração quatro delas nunca funcionaram. Referência em várias especialidades, reduziu o atendimento. 60% dos pacientes vêm do interior e 40% da Capital.
A exemplo do que ocorre nas demais unidades, o diretor não tem autonomia para comprar uma simples seringa. Tudo é centralizado na Secretaria da Saúde, exigindo tempo e burocracia que atrasam todos os procedimentos médicos e cirúrgicos.
O Hospital dos Servidores tem um diagnóstico ainda mais terrível. Dos 252 leitos, apenas 70 estão atendendo aos doentes. 52 da ortopedia foram interditados há mais de dois anos pela Vigilância Sanitária. Outros 130 estão fechados pela greve. Resultado: dezenas de pacientes atendidos em macas espalhadas pela emergência, em condições precaríssimas. O diretor Ivan Moritz classificou aquele cenário de “campo de guerra”. Sob vários aspectos, é até muito pior.
A crise dos hospitais é grave. A greve revelou e aprofundou o caos. Fonte: Moacir Pereira/DC
Comitiva aponta falta de servidores
Uma comitiva de deputados estaduais realizou ontem uma vistoria no Hospital Infantil Joana de Gusmão e no Hospital Governador Celso Ramos, em Florianópolis. Por causa da greve, as emergências das duas unidades atendem apenas os casos de gravidade, encaminhados por médicos, Corpo de Bombeiros e Samu.
O objetivo é avaliar os efeitos da paralisação dos servidores da saúde nos hospitais públicos e sensibilizar o governo do Estado a abrir a negociação com a categoria.
O presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, Volnei Morastoni (PT), acompanhado de outros deputados, verificou as condições da estrutura hospitalar e a situação com a greve.
Segundo o parlamentar, que é médico, o principal problema detectado foi a falta de servidores, um problema anterior à greve. Morastoni informou que as próprias direções dos hospitais confirmaram a necessidade de mais funcionários. Conforme o deputado, no Infantil, faltariam cerca de 400 funcionários para abrir os 80 leitos fechados e, no Celso Ramos, a defasagem seria de 520 trabalhadores.
– A visita propicia a oportunidade de mostrar a realidade dos hospitais, a greve apenas desnuda a realidade já existente. A saúde já tem problemas, como setores fechados há muito tempo – diz Morastoni.
O deputado é a favor das reivindicações da categoria, que prevê gratificação na média de 50% sobre o salário, mantendo a carga horária de 30h semanais, como medida compensatória pelo fim das horas-plantão. Um relatório sobre a vistoria será feito e solicitado ao governo que abra as negociações com o comando de greve.
– Já fizemos esse apelo ao líder do governo para que recebam o comando de greve. Os servidores precisam dessa gratificação, não dá para simplesmente tirar a hora-plantão, se não vai impactar as condições de vida dos servidores – defende Morastoni.
Hoje, os parlamentares visitam o Hospital Regional e o Instituto de Cardiologia, em São José, e a Maternidade Carmela Dutra, na Capital
Fonte: Roberta Kremer/Diário catarinense – 28.11.12

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