Auditoria participativa: é preciso estabelecer o diálogo com a sociedade

As transformações sociais e econômicas em andamento no Brasil trazem novos desafios aos auditores internos, aponta o secretário  de Controle Interno e Presidente do Comite Técnico de Auditoria da Presidência da República, Jerri Coelho, um dos palestrantes do CONBRAI.  A sociedade está mais crítica e o auditor interno precisa estabelecer com ela o diálogo. É a auditoria participativa. Leia o bate-papo de Coelho com o presidente do SindiAuditoria, Rodrigo Stigger Dutra para o Blog do SindiAuditoria
 
Blog SindiAuditoria – Auditoria participativa vem em respostas às novas demandas sociais ou esse movimento é precursor, está incentivando novas demandas?
Jerri  Coelho – Eu tenho impressão que esse movimento ocorre nos dois sentidos. Ele é uma consequência dessa transformação da nova estrutura social brasileira que vem acontecendo nos últimos anos, com uma consciência cidadã mais presente, mais aguçada na sociedade, impulsionado logicamente, pela ascensão de camadas populares à classe média. E por consequência, as pessoas vão se qualificando e vão tendo mais autonomia e mais capacidade de reflexão sobre sua relação com o estado. E ao mesmo tempo, esse processo de qualificação do senso crítico da nossa sociedade, também vai impulsionando no sentido de intensificar a auditoria a chamar esse processo de auditoria participativa.  Nós que somos auditores que lidamos com esse métier muito árido, muito técnico muito hermético, temos que estar preparados para essa nova realidade social brasileira, onde as pessoas têm sede de participação e não aceitam soluções prontas. As pessoas querem participar das decisões. E a auditoria como lida com avaliação de políticas públicas, avaliações das prestações que o Estado faz à nossa sociedade, obviamente que o crescimento do interesse da sociedade pela auditoria é  inevitável e nós temos que estar preparados pelo interesse em prol da auditoria, em prol da execução mais adequada das políticas públicas de atendimento à sociedade.
 
Blog SindiAuditoria – Em termos práticos qual  é o funcionamento da auditoria participativa?
Jerri Coelho – O funcionamento passa inicialmente pela seleção de algumas ações governamentais que tenham um impacto muito forte na sociedade. A gente não propõe que a auditoria participativa seja o único tipo auditoria, temos de continuar de fazer auditoria, auditorias operacionais, técnicas sobre processos de trabalho específicos. Agora,  aqueles assuntos em que a ação governamental impacta diretamente na sociedade, que interfere diretamente na vida do cidadão, acho que a auditoria participativa tem o seu maior espaço. Porque a sociedade civil está se preparando para enfrentar essas situações. Hoje não se desapropria mais uma área e não se remove mais famílias e as pessoas ficam de cabeça baixa. As pessoas fazem protestos, buscam seus direito, buscam exercer as pressões, que são legítimas, sobre as decisões governamentais. E auditoria, ao se aproximar desses movimentos, ela qualifica a sua visão sobre a ação pública. Ela pode ajudar para que haja uma compatibilização entre os interesses do estado e de uma determinada coletividade. Se abre espaços para a participação da sociedade no diálogo. Fazer uma parceria com a sociedade naqueles assuntos em que ela tem mais demanda e mais necessidade e a presença de um órgão que viabilize intermediação nas soluções.
 
Blog SindiAuditoria – Algumas pessoas consideram que o auditor interno não se abre para as pessoas , para o mundo. Então, na auditoria participativa o auditor precisa sair da zona de conforto e buscar as pessoas. Na sua opinião, como pode se dar a preparação do auditor interno para a auditoria participativa?
Jerri Coelho – Isso é verdade. A figura do auditor e não só do auditor,  ela tem uma construção no imaginário popular de um profissional austero, fechado, que é uma espécie de inquisidor, muitas vezes, e muito técnico. Logicamente que nós temos que preservar a técnica e alguns fundamentos, não podemos abrir mão, mas eu acho que nós temos que fazer esse movimento de abertura com a sociedade. Agora, não é fácil, porque estamos vindo de uma tradição de uma atividade hermética. Nós temos que fazer, é trabalhar a capacitação, promover alguns encontros e, alguns cursos até, sobre participação social, que é uma matéria muito interessante. Há estudos sobre modelos de participação social e como ocorrem as dinâmicas dos movimentos sociais que buscam do estado uma prestação melhor. Acho que o caminho, não é fácil, a gente não diz que é fácil, a gente diz que ele tem que acontecer, porque a sociedade está mudando e nós temos que mudar junto.
 
Blog SindiAuditoria – Um comentário a respeito da provocação sobre auditoria de terceira geração, a auditoria participativa e sobre a interação com os órgãos de controle nos estados
Jerri Coelho – Eu chamei de provocação, porque nós não temos a presunção de criar classificação de auditor interno. Nós somos mais um órgão, a secretaria de Controle Interno da presidência da República, somos mais um órgão de controle interno do país. No sentido de auditoria de conformidade é a de primeira geração, a auditoria operacional já é de segunda geração e nós estamos propondo que a auditoria participativa seja de terceira geração, porque ela é uma prática nova para a gente e vem mais na sequência cronológica da sua prática.  Mas nós estamos totalmente abertos para que as pessoas formulem, que proponham classificações mais acertadas do que essas. Eu acho que o importante é nós praticarmos a auditoria participativa.
No que diz respeito a participação dos estados eu penso que devemos fazer com que o movimento cresça por adesão. Nós estamos totalmente disponíveis em dialogar e quem se interessar pelo modelo, que não está pronto, nós somos parceiros no diálogo e ao debate. Estamos preparando para o ano quem vem, um seminário internacional na presidência da República com apoio do PNUD, da ONU, e trazer pessoas e órgãos de outros países, que tenham experiência,para fazer grandes debates e fomentar a prática da auditoria participativa no Brasil. Sobre os estados, ninguém é titular dessa ideia, nós não somos titulares e não queremos ser titulares. Queremos que os parceiros venham surgindo e a gente comece a fazer o diálogo, o debate e comece a construir o modelo juntos.

Fonte: Assessoria Imprensa SindiAuditoria

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