Hora da inovação aberta

Inovar se tornou uma questão de sobrevivência no mundo globalizado. Uma tendência já adotada por grandes grupos é a inovação aberta (open innovation). O IEL, da Fiesc, promoveu curso em Florianópolis ministrado por Anton Musgrave, professor das universidades de Duke e Oxford.

O que é inovação aberta?

Anton Musgrave – Inovação é um processo e uma ciência combinada com entradas econômicas que vão prover resultados para as necessidades dos clientes. E open innovation é o mesmo processo científico da inovação, só que combinada com um espectro maior do que o da empresa. É uma nova tendência de negócios no mundo por meio da cooperação e da colaboração.

Como aplicar esse processo?

Musgrave – O primeiro passo é a liderança abrir seu espectro de atuação para fora dos muros das empresas e usufruir de todo esse conhecimento. Isso tem uma implicação muito grande em relação ao passado, quando os líderes acreditavam que o conhecimento da empresa não podia ser revelado ao mundo. Isso requer coragem dos líderes. O segundo passo é que você precisa de processos para receber as milhares de contribuições que virão de todas as partes. Você precisa de processo para poder se apropriar disso da melhor forma para a sua empresa. E o terceiro passo e, talvez, o mais importante, é como você vai ser capaz de pegar todo esse conhecimento e transformá-lo em novas respostas para antigos problemas. Como priorizar esses novos conhecimentos. São quatro palavras: abertura, processo, colaboração e diversidade.

Pode dar exemplo de inovação aberta?

Musgrave – Grandes empresas mundiais como a Procter & Gamble, Unilever e GE têm bons exemplos. Mas o principal exemplo – e o mais radical – que gosto de citar é de um laboratório de pesquisa. Eles queriam decodificar um vírus HIV. Criaram um jogo online convidando toda uma comunidade científica interessada naquele assunto. Para que todas as pessoas ajudassem a decodificar esse vírus. O mais interessante é que nenhum pesquisador da área científica, seguindo suas regras tradicionais, foi capaz de decodificar totalmente. Não foi uma pessoa só capaz de resolver o problema. Com esse jogo, baseado na colaboração, as ideias de um e de outro foram se somando até obter a resposta final. A solução veio com um ambiente colaborativo, onde foi se somando as respostas.

Qual é a melhor opção: pagar ou não para obter a colaboração de fora?

Musgrave – Eu penso que depende da comunidade que você está tentando acessar. Algumas comunidades procuram entrar nesse processo e esperam uma compensação financeira. Mas existe um número crescente de pessoas no mundo que só quer colaborar, resolver problemas. Querem participar e serem reconhecidas, sem remuneração.

E o papel das mídias sociais nisso?

Musgrave – É apenas um meio de se conectar a essa diversidade de grupos e de pessoas. É como se fosse o telefone no passado. A inovação aberta pressupõe que as duas partes ou todas as partes vão se beneficiar.

Quando a empresa recebe as sugestões e não adota?

Musgrave – Bem, pense que você tem um relacionamento pessoal. Você pede um conselho, tem um bom conselho e você ignora. A empresa mantém um relacionamento com a sua comunidade de clientes. Quando ele é quebrado pela falta de comunicação, ela perde bastante.

Professor global

Anton Musgrave é CEO da FutureWorld SA e sócio da FutureWorld Internacional. É professor, palestrante, estrategista, consultor e empreendedor. Interage com clientes de vários setores e de todo o mundo. Aconselha empresas sobre estratégias e crescimento inovador com foco no desenvolvimento sustentável. Hoje é professor na WITS Business School, Duke CE dos EUA, Oxford University Business School, London Business School e no India School of Business, em Hyderabad. Na foto, durante conversa na Índia, em 2011.

Natureza exótica

O professor Anton Musgrave, 56 anos, nasceu na Cidade do Cabo, África do Sul, onde reside e tem a sede da FutureWorld SA. É casado há 28 anos com a mesma mulher e o casal tem uma filha de 21 anos que estuda Administração. Nas horas de lazer, gosta de velejar e de fazer fotos, inclusive subaquáticas (foto).

Curso em SC

Musgrave veio pela primeira vez a Santa Catarina para ministrar curso de três dias para 60 empresários e executivos brasileiros no Costão do Santinho. Neste final de semana, disse que aproveitaria para conhecer um pouco o Estado. Quem organizou o curso foi o diretor do IEL-SC, Natalino Ugione, entusiasta da inovação aberta. Um exemplo citado por Ugione envolve laboratório que tinha um problema há 16 anos, fez inovação aberta e recebeu 113 soluções.

Fonte: Coluna Estela Benetti/Diário Catarinense

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