Auditor no mundo 4.0: um nexialista

Por Marcos Vinícius Braga  e Rossana Guerra

Em um universo organizacional cada vez mais, veloz, mutável e fascinante, com conexões multitarefa, o exercício da auditoria interna não produz tédio. Mesmo se deparando com inevitáveis déjà vu, cada auditoria apresenta sempre um novo desafio, e isso é fascinante. Demanda do profissional uma visão matricial, generalista, interconectada; que ele seja um nexialista.

Em 1950, o livro The Voyage of the Space Beagle, que inspirou a série Jornada nas Estrelas, trouxe o termo “nexialista” pela primeira vez na figura do Capitão Kirk. Mesmo não sabendo todas as respostas, ele combinava os diferentes talentos de seus especialistas para chegar a conclusões e a resultados fantásticos.

O termo foi adaptado para a área de negócios em 2008, com o livro “O Marketing na Era do Nexo” e parece ser uma abordagem ideal para se inserir também na auditoria, em um contexto em que se intensificam as transformações digitais, sociais e biológicas.

Estabelecer nexo, unir, conectar, o nexialista traz a lume o sentido da competência daquele que articula as múltiplas e rápidas informações da era tecnológica, na construção de soluções. Trata-se de um alquimista, um combinador dessa profusão de saberes. As formações profissionais exclusivas e excludentes podem ser constituir em caixas limitadoras, que impeçam o exercício da auditoria com a eficiência necessária para a construção de valor. Não é a toa que os mais eficientes órgãos públicos de auditoria, têm um perfil multidisciplinar em seus times.

A auditoria como função nas organizações no mundo 4.0, evolui e se aprofundam, exponencialmente, nas demandas por novos saberes e interconexões exigidas para produzir diagnósticos conclusivos e insights consistentes à melhoria dos controles internos e, assim, agregar valor à organização.

Para cumprir sua missão, o auditor, em suas análises e recomendações, precisa atentar à necessária conexão, sentido e lógica entre objetivos organizacionais, à visão e realidade do seu segmento. Deve ser transdisciplinar.

Tem-se assim um cenário no qual os especialistas podem se tornar obsoletos e impinge ao auditor um perfil de competências amplo e de constante atualização fora de pensamento linear e padronizado. Há possibilidades para o desaprendizado e não utilizar de visões monoculares nos objetos de análises e recomendações.

“Para quem só tem um martelo, todo problema parece um prego”, já alertava o escritor Mark Twain. É preciso ter um cinto de utilidades e capacidade de enxergar as organizações como parte de um todo mutável. É essencial construir previsões que auxiliem na tomada de decisões com nexo, provendo insights ou melhorias, com a observância aos requisitos tradicionais da profissão de proficiência e zelo, além de adicionar a competência de ser nexialista.

A gestão se transformou e a atividade de auditoria interna também. Ao invés de se discutir, o que anda na moda ou quais funções serão extintas, seria importante que os debates se dessem em relação ao redesenho necessário nessas profissões tradicionais, além de discutir que caminhos serão mais relevantes sobre os novos contextos que se descortinam. Nesse sentido, o nexialismo trará percepções plurais e interessantes para os ambientes corporativos.

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*Marcos Vinícius Braga é auditor governamental na CGE/RJ e doutorando em políticas públicas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

*Rossana Guerra é auditora governamental (TJPB e UFPB), doutora em ciências contábeis, conselheira do Instituto dos Auditores Internos do Brasil

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Florianópolis recebe summit corporativo sobre gestão, tecnologia e sustentabilidade

Começa na próxima sexta-feira (4), em Florianópolis, o LMA Summit 2019. Nomes nacionais se reúnem com a finalidade de discutir soluções para os novos paradigmas de gestão. Por isso, a programação conta com oficinas de aprendizagem, apresentação de cases e interação com os palestrantes. O auditor interno do Estado André Luiz de Rezende participará como mediador do painel Controles, contabilidade, fraudes financeiras e tributos, no dia abertura, às 13h30. 

O LMA é um evento corporativo com quatro objetivos: 1/ projetar os principais cases nacionais, 2/ atuar na disseminação em maior escala de práticas éticas e sustentáveis,  3/ identificar soluções que sirvam de inspiração a outros empreendedores, e 4/ capacitar líderes e colaboradores através de mentores estratégicos que se destacam. Com caráter inovador, o LMA Summit debaterá ainda sobre Sustentabilidade, Integridade nos Négocios; Economia e Gestão, Inovação e Gestão Ética e Sustentável de Recursos Humanos. As atividades encerram no dia 6 de outubro.

As inscrições ainda estão abertas e podem ser realizados no site do evento.

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LMA é uma sigla em inglês para Legislação, Gestão e Auditoria

 

Rodrigo Stigger Dutra participa do lançamento nacional do livro do Conaci sobre controle interno

O Conselho Nacional de Controle Interno (Conaci), em parceria com a Controladoria e Ouvidoria Geral do Município de Fortaleza promovem o XV Encontro Nacional de Controle Interno, na capital do Ceará. O evento que começou ontem (25) traz o tema “O Controle Interno como Instrumento de Aperfeiçoamento da Governança Pública”. Na oportunidade, ocorreu o lançamento do livro “Sistema de Controle Interno da Administração Pública na União Européia e no Brasil” (Editora Fórum, 257p, R$69). O auditor interno do Estado Rodrigo Stigger Dutra contribuiu com essa publicação coletiva que reúne diversos autores nacionais.

“A participação nesta missão representou para mim um renascimento como auditor interno. A convivência com um time espetacular de colegas, com os quais pude aprender muito, é algo que sempre recordo. Sou muito influenciado por tudo o que vi e aprendi nesta missão, pois ao analisar a atuação de auditores internos nos países visitados entendi que a atividade de Auditoria Interna é algo muito grande e quando olha para a frente tem o poder para de fato auxiliar a transformar a realidade do setor público”, conta Dutra, que recorda sua participação a visita de estudo feita à Croácia e Bulgária, em 2016.

O livro vem apresentar ao leitor, seja este acadêmico, servidor público, ou apenas um interessado no tema, vários dados e informações que ajudam a entender o cenário atual do controle interno no Brasil. Aspectos relacionados à estruturação e ao funcionamento dos diversos órgãos incumbidos do combate à corrupção são relacionados, a fim de trazer, quantitativa e qualitativamente, uma oportunidade de reflexão da dimensão do trabalho, bem como os produtos gerados pelas ações dos órgãos integrantes do Conaci. Enfim, trata-se de uma leitura indispensável para quem deseja se aprofundar no tema controle interno no Brasil, ainda muito carente de publicações especializadas que relacionem gestão pública e controle.

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Os Auditores Internos do Estado Wanderlei Pereira das Neves, Cristina Keller Sartori, Frederico da Luz, Marisa Zikan da Silva, Rodrigo Stigger Dutra e Simone Becker participam do evento em Fortaleza (Foto: Divulgação/Sindiauditoria)

Programação

Durante a abertura do Encontro Nacional, a secretária-chefe da CGM Fortaleza, Luciana Lobo, que representou o prefeito Roberto Cláudio, reforçou a importância do controle interno na Prefeitura de Fortaleza. “Ajudamos transversalmente todas as políticas públicas realizadas na Prefeitura de Fortaleza. Nós auditamos atualmente 56% de todos os gastos. Temos também a rede de controle interno da administração pública. Nos reunimos mensalmente com todos os órgãos da prefeitura para debater temas e definir diretrizes do funcionamento do tema dentro da prefeitura”, explicou.

O evento é um momento para troca de experiências com o Conaci, que exerce um papel mobilizador, ao promover sistemas de controle para a construção de gestões públicas eficientes e acertivas. O órgão vem prestando apoio aos municípios brasileiros que queiram aderir ao método para exercer este controle. Uma forma de governar com clareza e transparência, oferecendo mais confiança ao cidadão, como explicou o presidente do Conaci, Leonardo Ferraz. “O Conaci tem o papel de ser uma instituição de harmonização das boas práticas de controle no Brasil. É quem consegue padronizar procedimentos, difundir boas práticas e normatizar questões envolvendo a atuação do controle interno no país, fortalecendo e aperfeiçoando este controle”, disse.

O encontro nacional contou também com a presença do Ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Wagner Rosário. O órgão promove atividades relacionadas ao incremento da transparência da gestão. O ministro destacou a importância do conselho nacional para integrar os municípios brasileiros. ” O Conaci surgiu como uma instituição importante na agregação desses órgãos de controle porque nós temos quase 5.600 municípios, 26 estados e temos ainda os orgãos de controle interno que estão dentro das empresas públicas. Então, a gente vem procurando integrar e dar a nossa contribuição com o desenvolvimento de sistemas, compartilhando as ideias que estamos desenvolvendo lá e o Conaci tem sido muito importante nesse processo”, afirmou.

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O auditor interno do Estado Rodrigo Stigger Dutra junto com os co-autores durante o lançamento do livro editado pela Fórum (Foto: Divulgação/Conaci)