Artigo: Controle só com autonomia

Maurício Arjona, auditor interno do Poder Executivo e presidente do Sindiauditoria

Auditores internos: quem são? O que fazem? Para que servem? Não será surpresa se a maior parte dos leitores não tiver as respostas. Mas absolutamente todos os leitores, se forem contribuintes de impostos, já foram beneficiados pelo trabalho destes profissionais.

Os auditores internos do Poder Executivo do Estado são profissionais concursados que fiscalizam os processos do governo e têm, entre as funções, controlar e zelar pela qualificação do gasto público. Essa brevíssima explicação já deixa clara a necessidade e importância da autonomia para que possam realizar um trabalho sério. Afinal, somente com independência poderão sugerir boas práticas e corrigir processos.

Em Santa Catarina, somos menos de 50 auditores internos responsáveis pelo controle de todos os órgãos e autarquias, trabalho que já garantiu a economia de milhões aos cofres públicos. O Estado é nosso cliente, não os governos. E aqui não se trata absolutamente de rebeldia, mas de salutar autonomia.

Exatamente por isso, é uma grande conquista para o Estado ter no comando da sua Controladoria Geral auditores internos de carreira. Independentemente das mudanças nos governos, esses profissionais permanecerão nos quadros de controle e precisam manter suas reputações e autonomias.

Santa Catarina, infelizmente, assistiu o que pode acontecer quando a Controladoria atua mais para defender que para fiscalizar um governo. Leia-se o caso dos respiradores “fantasmas”. De outro lado, felizmente, o erro foi corrigido. Será trabalhoso e levará algum tempo para que se limpem os respingos que atingiram injustamente nossa carreira. Mas com união, muito trabalho e, especialmente, autonomia, voltaremos ao bom rumo e retomaremos projetos interrompidos, como o da implantação gestão de riscos em toda a administração pública.

Muitos governos passarão e sempre haverá tempestades, mas é preciso ter em mente que a água que afunda o barco é a de dentro. Que a sociedade possa contar conosco para manter o barco navegando hoje e sempre.

Artigo publicado no Jornal Notícias do Dia de 30 de julho de 2020

Artigo: Novos caminhos para o controle

Cristiano Socas, auditor interno e controlador-geral do Estado

É durante as fases de maior adversidade que surgem as grandes oportunidades de se fazer o bem a si mesmo e aos outros. A frase não é minha, mas se encaixa bem ao momento que vivemos. Ao assumir a Controladoria Geral do Estado (CGE), a convite do Governador, recebo um desafio enorme, que obviamente não superarei sozinho.

Acredito que a chave para o sucesso da gestão está na união do grupo. A CGE tem um corpo funcional pequeno, mas muito qualificado. Profissionais que já dedicaram bons anos de suas vidas ao Estado, implantaram soluções inclusive copiadas por outras unidades e que, nos últimos meses, tiveram sua ação questionada injustamente. Mas tudo é aprendizado que fortalece.

O momento é oportuno para reconstruirmos pontes, olharmos para os objetivos comuns e construir outros tantos resultados positivos para Santa Catarina. O governo quer acertar, nós queremos trabalhar e sabemos como ajudar.

Nossas bandeiras seguem sendo governança, gestão de risco, controle e, mais do que nunca,  prevenção. Temos que agir para evitar o erro e qualificar cada vez mais o serviço público. Essa talvez seja uma oportunidade de trazer luz ao nosso trabalho e mostrar à sociedade a importância do que fazemos. Muitos não sabem o que é e o que faz um auditor interno, justamente porque nosso trabalho não é aparecer, mas atuar nos bastidores para que os gestores possam mostrar bons resultados.

Nos cabe orientar órgãos, autarquias, fundações públicas e empresas estatais. Devemos ser consultados quando há dúvidas, embora busquemos sempre nos antecipar, estimulando boas práticas.

Nossa missão não é das mais confortáveis. Dentro do governo, uma brincadeira recorrente quando chega um auditor interno em um órgão é ouvir duas “mentiras”: seja bem-vindo e volte sempre. Talvez porque muitos nos vejam apenas como apontadores de erros. Na verdade, revelamos as inconsistências sim, mas a auditoria moderna aponta também para as soluções e oportunidades de melhoria, pois o nosso objetivo basilar é agregar valor à gestão. E, nessa toada,  já possibilitamos economias milionárias aos cofres públicos do Estado.

SC se acostumou a padrões elevados de exigência por parte de seus cidadãos e até dos próprios servidores. Por parte da CGE essa expectativa será não apenas mantida, mas superada.

  • Artigo publicado no Jornal Notícias do Dia de 22 de julho de 2020

Sindiauditoria é solidário aos pedidos de exoneração na CGE/SC e cobra posicionamento do Governo do Estado

Toda estrutura de comando da Auditoria Geral da Controladoria-Geral do Estado (CGE/SC) pediu exoneração. O ato faz eco as falhas na organização e gestão do atual controlador-geral do Estado, Luiz Felipe Ferreira. O Sindiauditoria é solidário com esta decisão e com o pedido de exoneração feito pela controladora-geral adjunta, Simone de Souza Becker. O sindicato espera que o Governo do Estado posicione-se sobre o pedido de afastamento do atual controlador-geral, pedido reiterado em nota publicada nesta última sexta-feira (26).

Assinam o documento de dispensa dos cargos os Auditores Internos do Estado: César Fernando Cavalli – Auditor-Geral do Estado; Aginolfo José Nau Junior – Gerente de Auditoria de Pessoal; Alessandra Barcellos Barros – Gerente de Auditoria de Controle Interno e Gestão de Riscos; Daniela Potrich Oliveira – Gerente de Recursos Antecipados; Eduardo Maciel Bittencourt – Gerente de Auditoria de Licitações e Contratos; Maria Eliane Silva Furlan – Gerente de Auditoria de Contas e Programas de Governo; e Marco Antonio Barbosa Lopes – Coordenador de Informações Estratégicas.

O Sindiauditoria defende que a Controladoria-Geral do Estado existe para proteger os interesses dos catarinenses e que o ocupante do cargo máximo do orgão precisa ser um profissional capacitado e integralmente comprometido com esta missão. Neste momento é preciso tomar uma decisão que devolva a esperança de dias melhores. Somente com uma gestão técnica comandada por um auditor interno de carreira teremos a criação de uma CGE/SC dinâmica e transparente.